quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Piquenique na montanha misteriosa - filme

Oi pessoal!



Se existe um filme nesse mundo em que eu considero uma verdadeira obra de arte é Pique nique na montanha misteriosa (Picnic at Hanging Rock). Uma das coisas que eu considero muito na vida é a beleza, aquilo que é belo. Algumas pessoas podem achar que isso seja fútil,  não importo eu taco o foda-se, pois ninguém que pensa assim deposita milzinho na minha conta.




É belo por quê? Por que uma obra de arte? Porque ele é a soma de muitos pontos positivos, expressivos e perturbadores. Além do mais a fotografia e imagem é linda. Sendo assim esses fatores fazem dele um filme único e inesquecível, além de fazer com que os nossos questionamentos martelem na nossa mente. 




O filme acontece na Austrália em 1900 em uma escola vitoriana só para meninas, uma espécie de internato para burguesas aprenderem boas maneiras e suas obrigações. Sendo assim, toda a rigidez da época em relação aos valores da alta sociedade, principalmente como uma mulher deveria zelar por sua honra. Logo é um ambiente que cobra que uma moça deve gostar de poesia, ser pura, romântica, culta e submissa. Todos esses fatores aparecem no ambiente escolar e na trama.





O filme se inicia na manhã do Dia de São Valentin, onde as lindas meninas se vestem com vestidos de cores claras, quase puxando para o branco. Um grupo delas aparecem apertando os espartilhos, uma a uma de fila apertando o espartilho da outra. Todas arrumam seus cabelos com a ajuda das amigas. Muitas recebem cartas de Dia de São Valentin e recitam versos de amor. Até que elas descem as escadas e vão em direção a porta principal da escola. A diretora, a senhora Appleyard aparece e dá início ao passeio a Hanging Rock. Nisso a diretora fala para as alunas honrarem o nome da escola e ao mesmo tempo a gente interpreta como: “seja uma boa moça”.




Essa cena inicial é doce e faz com que a gente compreenda todo o contexto vivido pelas alunas. É comum a gente notar nesses filmes de época que as moças se vestiam com cores claras assim como aniversariantes de 15 anos de até um tempo atrás. As cores claras seria uma espécie de representar a pureza, por isso noivas se casam de branco. Percebemos então toda uma atmosfera de pureza e repressão no ambiente feminino da escola. Também o espartilho, mesmo eu considerando uma peça que não devia ter saído do guarda roupa e que eu ache perfeito, foi considerado como um objeto de opressão pela forma perfeita da mulher. Portanto mais um ponto na trama para representar os valores morais da época e ao mesmo tempo o erotismo.




Ainda no início, uma moça loira, a Miranda (Anne-Louise Lambert) começa a ler em voz alta uma carta de São Valentin. Não sabemos ao certo se ela recebeu de um pretendente, ou se sua colega de quarto que também está no quarto. A colega de quarto Sara (Margaret Nelson) durante toda a trama Sara demonstra que ama Miranda. Provavelmente é apaixonada por ela. Até que Miranda vira e fala: “Você precisa aprender a amar outra pessoa além de mim Sara, não vou ficar aqui por muito tempo”.





Essa frase perturba o espectador durante todo o filme. A gente não sabe se o sumiço de Miranda e das outras garotas tem relação com isso. Também se ela estivesse apenas dando um fora na colega em função de um namorado e ela não pretende se relacionar com Sara. Ou apenas um simples comentário de quem um dia terá que partir e se preocupa com a amiga. O que importa é que suas palavras nos perseguem o tempo todo.

Devido a falta do pagamento da mensalidade a diretora não deixa Sara ir ao passeio. Então todas as meninas e duas professoras vão em direção a montanha. Uma delas também se veste com cor clara que nem as alunas. Já a outra usa uma roupa escura, é mais velha e com mais sabedoria. Nisso, as alunas fazem um piquenique no local, partindo bolos e comemorando o dia especial. Até que na hora do descanso, muitas alunas resolvem dormir, outra característica da vida das garotas burguesas da época: cochilar depois do almoço.



Enquanto isso, a sra. Appleyard pede para que Sara recite um poema, já que recitar versos era uma das lições da escola. Era de bom tom que toda moça soubesse poesia. No entanto a aluna disse que não havia decorado, mas que tinha criado outro e tinha mais versos que o poema exigido. Quando Sara começa a recitar a professora manda parar e exige que a aluna decore o outro poema, mais um pouco de opressão por parte da diretora.

Durante toda a trama a gente percebe que Sara era bem diferente das outras meninas. Queria fazer versos, ser diferente, ser apaixonada por uma garota, não sabia se portar como uma moça, ser homossexual? Ou será, ela descobriu o amor??? São muitas as nossas dúvidas em relação ao que acontece com ela. Com certeza é uma intensão de mostrar que há algo acontecendo com a personagem. 




Chega o momento em que coisas estranhas acontecem na montanha. Os cavalos relincham, os pássaros começam a fugir do nada, o relógio para de funcionar, um som se flauta. São coisas sobrenaturais que acontecem ao meio dia. Então Miranda e mais duas alunas resolvem subir a montanha.  A professora mais velha também sobre como se estivesse sentindo a necessidade de buscar algo ou explorar o lugar. Uma aluna gordinha segue suas colegas que vão em direção a algo que não sabemos. Mesmo com a colega lutando para que elas não fossem tão longe, as garotas continuam indo como se nada tivesse acontecendo.

É na montanha onde as três garotas passam a ignorar o mundo, sentir pena da gordinha e também de quem não tem propósito de vida. Dá para entender que Miranda também sente a mesma coisa e talvez até desprezo por Sara. Até que uma delas fala: “é surpreendente o número de pessoas sem um propósito. Desconhecidas a si mesmo. Tudo tem um começo e um fim. Na mesma hora e no mesmo lugar”. Da a entender que as outras duas compartilham da mesma visão. Assim as três alunas e a professora desaparecem na montanha.


Ao voltar da escola a professora da a triste notícia do desaparecimento das alunas e da professora. O que a diretora pediu no início do passeio não foi realizado e a escola passa a ser mal vista. Algums pais tiram suas filhas da escola e tudo começa a entrar em crise. Até que sabemos que Sara na verdade é órfã e seu tutor não está mais pagando a mensalidade, logoela é avisada sobre sua situação na escola. No entanto ela parece mais triste com o fato do sumiço de Miranda. Ela conta para a zeladora que Miranda disse que não voltaria mais. Aquelas palavras de Miranda continuam perturbando a nossa mente.  

Durante todo o filme uma atmosfera do adolescer e de se tornar uma mulher envolve os personagens. Há o início de uma descoberta sexual, não só por parte das alunas, mas também pelo garoto que fica encantado com as três meninas que sumiram. Além do mais, durante toda a trama Miranda é tratada como uma pessoa de beleza única. A frase de sua professora enquanto ela olha uma imagem da vênus de Botticceli “Agora eu sei. Eu sei que Miranda é um anjo de Botticceli”. Miranda é aquela menina que encanta a todos com sua beleza.  




Nisso que o garoto observa as meninas outro rapaz, seu empregado começa a falar coisas “grosseiras” a respeito do corpo delas. Até que o garoto fala que ele não devia falar coisas tão cruéis e recebe a resposta: “eu digo coisas cruéis, você só pensa nelas”. O garoto que também era da alta classe social tem uma educação de lord, mesmo assim há um despertar sexual nele. Tanto é que mesmo que a polícia dissesse que não tinha encontrado as alunas, ele foi atrás e acha uma delas. Outro ponto perturbador é que ele aparece paralisado com um pedaço do vestido de uma delas na mão.





A garota encontrada não morreu e recebeu todos os devidos cuidados médicos. A maior preocupação da sociedade e também da escola é saber ou não se ela ainda estava “intacta”. Porém essa não é a perturbação maior do espectador e também do médico que fala que daria tudo para saber o que aconteceu naquela montanha. Ao acordar a garota encontrada não se lembra nada do que aconteceu.


Sara recebe a última alerta da Diretora, mas o desaparecimento da amiga é mais doloroso que sua expulsão da escola. Ela conta para a zeladora que é órfã e quando criança no orfanato ela sonhava em trabalhar num circo e usar um vestido cheio de lantejoulas, mas seu cabelo foi raspado e sua cabeça tinha sido pintada com violeta de genciana, como uma espécie de reprimir os sonhos da garota. Ao mesmo tempo o empregado do garoto diz que tem uma irmã, mas que não sabia onde ela estava, fazendo com que chegamos a conclusão que Sara é sua irmã. No final do filme ela é encontrada morta assim como a profecia que as alunas que sumiram disseram.



Mais uma vez para lembrar dos valores da época há uma cena em que a diretora da escola comenta algo a respeito da professora que sumiu. Ela diz que não compreende porque a senhorita McCraw se deixou levar por uma aventura juvenil, logo a professora que ela considerava com um intelecto másculo, atribuindo o masculino aos conhecimentos e educação da professora. Mais uma vez o despertar sexual que bate na porta e agora podemos assimilar o desaparecimento das garotas com a data especial, o Dia de São Vatelin, dia dos namorados e dos amantes. A medida em que elas sobem a montanha peças de roupas são deixadas para trás e passam a andar descalças. Seria então algum tipo de crime sexual? Ou seria a montanha uma espécie de personagem que representa o desejo e o desaparecimento delas está relacionado com o rompimento com tabus da sexualidade feminina? Afinal, a professora que era sexualmente reprimida se deixou levar por uma aventura juvenil e desaparece na montanha que nem as alunas. 



A resposta não é revelada. Sabe-se que depois de alguns anos foi dito que o caso não era real e sim fruto de um romance de ficção relacionado à montanha que nativos diziam que aconteciam desaparecimentos no local sem nenhuma explicação. 

O filme é vendido por aí com cortes do original, inclusive o DVD que eu tenho não tem o final onde a sra. Appleyard resolve ir até a montanha para ver o que aconteceu. Até que ela encontra o espírito de Sara que tanto a assombra, fazendo com que ela caísse morta no chão. Vi esse final no youtube. 



Durante muitos momentos o som da flauta inquietante aparece e mesclarem de imagem das personagens condicionam o clima de suspense, beleza e inquietação. As cores usadas, os penteados das meninas, as vestimentas antigas de cores claras, espartilhos, a conotação sexual e a música formam uma atmosfera de beleza e erotismo.




Não sou nenhuma crítica de cinema e nem muito fã do cinema cult. Mas esse é meu parecer de um dos meus filmes favoritos. Também publicarei essa mesma postagem no meu outro blog que serve como um diário meu. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um pouco de aquarelas da Pentel

Oi pessoal!



Estou criando uma série de aquarelas noturnas e com pessoas fumando narguilé. Mais um motivo para estudar melhor a iluminação noturna, tanto em ambientes fechados e abertos. Também quero aproveitar para fazer figuras com poses diferentes ou até inserir mais gente numa composição. Eu á fiz outras aquarelas dessa série, mas ainda não postei aqui.



Tinha muito tempo que não usava minhas aquarelas da Pentel, um joguinho de 12 cores que comprei em 2011 na época que comecei a fazer aula de aquarela na Casa das Artes. Passei um bom tempo pintando só com elas. Até que minha mãe trouxe da Europa umas cores da Winsor e Newton e acabei então usando apenas essas melhores.



Me bateu uma vontade de pintar com as tintas da Pentel, á que a cada ano que passa a gente aprende mais coisas. Resolvi testar depois de muito tempo neste desenho da mulher hippie fumando. De fato, ela não é uma boa aquarela. A princípio ela parece bem pigmentada e isso é bom. No entanto depois que a gente passa a segunda camada acontece a merda, o pigmento da camada debaixo se solta e faz muita mancha. Sei que é bonito manchas na aquarela, mas nem sempre é o que a gente pretende. Ela se torna um material mais difícil de controlar. Portanto para um trabalho mais detalhado e mais realista ela não é uma boa opção. Além de ficar mais acinzentada.








Cheguei a conclusão que agora só compro cotman pra cima porque sei da qualidade que elas tem. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Noites aconchegantes com narguilé

Olá!


A ideia de fazer uma aquarela por dia é realmente difícil de manter. Semana passada fiz três desenhos que me agradaram, embora um deles acabou ficando desproporcional. Um foi a das três sereias, outros dois de casal em cabanas de madeira fumando narguilé. Agora a pouco acabei de pintar um deles e vim aqui mostrar como ficou.


Eu acabo colocando um pouco de mim e das coisas que gosto nas minhas aquarelas. Meu sonho é morar numa casa de madeira no campo, além de passar noites interessantes e cheias de vida e histórias para guardar para sempre.







Mais um outro trabalho de iluminação noturna. Realmente eu ainda não cansei de tentar aprender iluminação.




Em breve mais outros desenhos com narguilé irão aparecer por aqui. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

As três sereias solitárias

Oi pessoal!


Que ideia difícil essa de fazer uma aquarela por dia. Não segui, mas ontem fiz 3 desenhos que me agradaram e essa madrugada colori dois deles. Na verdade o segundo ainda precisa de uns retoques, então ele não estará nessa postagem.


Esse foi o primeiro que fiz, das três sereias solitárias. A princípio eu queria ter feito uma pintura noturna, mas mudei de ideia. Então pensei na iluminação natural do dia, mas com um pouco de uma atmosfera fria que fizesse um semicírculo na parte superior da composição. Assim com o rabo da sereia tudo fecharia num grande circulo a composição. Assim é como se esse semicírculo acinzentado da parte superior separa o mundo das sereias da praia que seria o mundo dos humanos, pata que tudo transmitisse uma sensação de separação entre dois mundos.


Já tem tempo que vou criando as espécies das sereias para ajudar na hora de escolher suas cores e recortes dos rabos e nadadeiras. Quis que elas tivessem as cores daqueles peixes laranja de brilho dourado. Tenho feito isso num caderno de papel 200 que seria um portfólio para que eu possa usar na hora de escolher texturas e recortes das sereias e outras coisas.


O clima seco do inverno tem contribuído para as aquarelas, que secam mais rápido pela falta de humidade. Assim aquela técnica do sal na aquarela deu muito certo nessas pedras, a textura ficou show.


Tem tempo que estou de olho nas cores para se enquadrarem melhor nas composições, ajudando a criar efeitos de profundidade e planos, além é claro do contraste entre elas. Assim certas figuras tem coloração nos cabelos determinado pelo o que a composição está pedindo. Não é bom por exemplo colocar uma moça ruiva num fundo mais avermelhado, nem loiros em um fundo amarelado. A composição precisa do contraste e também de cores que saltam e outras que afundam tal elemento. Assim também é a escolha das cores quentes e frias.


Usei guache para certos detalhes na cauda e nas nadadeiras


Vai aí então para vocês as três sereias solitárias






Lembrando que essa também é uma imagem do ambiente aquático do meu reino utópico para onde eu vou depois de morrer. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Bruxa no campo

Oi pessoal!


Agora que estou de férias quero produzir. Assim que terminei uma aquarela hoje pensei: “que tal fazer uma por dia?”... Bom, ao menos vou tentar. Vai aí então o desenho que fiz hoje.







O problema dessa aquarela foram as cores. O fundo laranja do outono dificultou muito para a escolha das cores do primeiro plano. Precisava de cores mais fortes mais saltar o desenho. Eu devia ter feito o fundo um pouco mais morto ou mais pastel para facilitar o primeiro plano ficar mais pra frente. Bom, fiz o que pude. Sei que o azul é a cor que mais contrasta com o laranja, mas não queria a roupa dela azul. 


Fiz essa aquarela no papel fabriano que é por sinal maravilhoso. Eu comprei há um tempo a folha grande que vende avulsa, o bloco é muito caro. Realmente é um papel que permite muitas e muitas camadas sem ficar danificado.




quarta-feira, 17 de junho de 2015

A rede turquesa

Oi pessoal!





Acho que tem duas semanas que terminei esse desenho da postagem de hoje. Ele foi um pouco demorado. Quis fazer um trabalho mais detalhado, aproveitando que estava usando um papel de ótima qualidade. Portanto eu quis caprichar mais na pele e também um detalhe que foi trabalhoso: a rede! Sim, a rede foi muito trabalhosa porque fiz os trançados dela (é assim que chama?). Também demorei na palha do telhado de sapê e outra vez a luz artificial, já que é uma cena noturna.

Usei esse papel Moulin du Rou da Canson, ele é de algodão




Mais uma vez um trabalho erótico, sim, pode ser ou pode não ser uma cena de sexo, aí cabe a cada um interpretar e imaginar como quiser. Queria uma imagem meio anos 70/80, um ar tropical californiano. Assim eu deixei o cabelo da mulher mais volumoso e castanho claro, além da pele bronzeada e marca de biquíni para deixar bem claro uma cena praieira. O cabelo do rapaz é aquele típico visual de cara bem loiro que nem Lagoa Azul, uma referência praieira bem clássica dos anos 80, hahaha. Quem nunca assistiu esse filme?!




Não posso esquecer de dizer que ouvia Janis Joplin, Mamas and Papas, The Doors, umas musicas folks e aquela música sensacional “Going to San Franscisco”! Essas coisas fazem a diferença para se trabalhar. É como se a gente entrasse no clima da imagem. Pelo menos comigo funciona ter uma trilha sonora, hahaha.



De fato um papel bom faz TODA A DIFERENÇA! Juro! Esse papel é maravilhoso, não absorve e nem enruga muito. Ele é realmente resistente. Outra coisa relacionada ao papel que noto é que quanto mais liso ele for, melhor para fazer aquarelas realistas. Não que isso implica a qualidade do papel, até porque nessa mesma linha desse papel que estou usando também tem o rugoso.


Incrível também o quanto que as pessoas gostam de uns desenhos com conotação erótica! Esse desenho fez o maior sucesso! Com certeza outros desenhos eróticos estão por vir!





Algumas pessoas falaram que era melhor eu deixar o desenho assim, sem colorir, mas.... não iria desperdiçar um papel caro, né! Além do mais eu amei o resultado! Ta aí meu livro de colorir!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Vampira - aquarela

Oi pessoal!


Tanto tempo que não desenhava vampiros! Pois bem, esse é um desenho que fiz há quase dois meses e ficou um tempo exposto no ateliê onde tenho aula de pintura. Esse não foi feito no papel 200 da canson, mas sim num outro de aquarela com gramatura 300.






Eu ainda estou na onda de trabalhar diferentes iluminações, em especial a noturna. Também em inserir outros elementos para dificultar um pouco a cena. O que foi o caso da escada, o corrimão, a noite e a iluminação dramática. Eu estou adorando enfatizar os planos, realmente eles fazem toda diferença na composição.


No caso o maior trabalho que tive foi nesse corrimão velho. Queria fazer algo com uma pegada mais medieval, para lembrar um pouco da arquitetura da baixa idade Média. Esses ornamentos florais são tão belos, nada mais justo que colocar numa composição vampiresca. Então eu quis fazer esse corrimão com um efeito de mármore corroído, pedra bem oxidada ou concreto bem antigo. 



Esse também é mais outro que vai pra seleção de trabalhos eróticos. Eu não consigo desvincular os vampiros ao “sensual”. Pra mim um vampiro é naturalmente sexy. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Coníferas e seus reflexos nas minhas utopias

Oi pessoal!





Estava tão pensativa esses dias a respeito de coisas que gosto. De fato um tipo de ambiente que eu gostaria de está é uma floresta cheia de pinheiros com o céu bem estrelado. Poderia ser em alguma floresta nos Estados Unidos ou no norte da Europa ou Canadá para poder ver a aurora boreal. Uma utopia seria ver galáxias e a imensidão de um céu roxo, mas juro que tenho muita vontade de deitar no chão e ver isso. Afinal sonhar é de graça.



Se tem uma coisa que me agrada muito nessas florestas geladas são os pinheiros. Pinus, coníferas ou seja lá o que for são as árvores que eu acho mais bonitas. Nas minhas fantasias o pinheiro é uma espécie de porta para o meu interior, assim como as conchas que remetem às sereias. Portanto eu coleciono algumas pinhas que acho por aí por ser um meio de está em contato com um universo gelado e fantástico. De fato essa variedade se tornou um símbolo para mim.

(foto minha em Asni- Marrocos)


Falando um pouco mais dessa variedade de plantas, as coníferas são gimnospermas e podem ser arbustos ou árvores (em sua maioria). Esses vegetais são capazes de viver muito tempo, assim foram encontrados pinheiros com mais de 4600 anos. A árvore mais antiga do mundo é um pinheiro europeu de mais de 9500 anos. Além do mais, elas são plantas bem resistentes e capazes de sobreviver em climas rigorosos. Elas são uma das plantas mais antigas da Terra.


Uma vez um professor de paisagismo disse que os pinheiros podem resistir a diferentes climas e temperaturas. Sendo assim encontradas até em desertos. De fato elas são as árvores que estão nos locais de invernos mais frios, já outras árvores não sobrevivem a temperaturas tão baixas. Os pinheiros foram as primeiras árvores e cobriam grande parte do mundo. Depois outras espécies foram surgindo e tomando espaço em regiões de climas menos frios e tropicais. No entanto somente os pinheiros sobreviveram em locais extremamente gelados.

(foto minah em Asni - Marrocos)


Os pinus podem ser os abetos, sequóias, chamaecyparis, ciprestes, cedrus, araucárias e outros. Existem também as tuias que são arbustos bastante utilizados no paisagismo.



No paisagismo quando queremos uma atmosfera  mais fria utilizamos os pinheiros, tuias e samambaias. Nem preciso dizer que se um dia eu tiver um sítio vou plantar um tan
to.



As árvores para diversas mitologias eram consideradas mágicas e também uma ligação com os deuses. Assim, a adoração aos deuses eram peitas nos pés das árvores, onde deixavam oferendas. Em algumas religiões xamânicas eram amarradas fitas coloridas nos galhos. As árvores também guardavam espíritos. Alguns grupos xamânicos dos países bálticos levavam pequenos pinheiros para casa na época do solstício de inverno e enfeitavam como de forma parecida com o que hoje fazemos nas nossas árvores de natal. O que de fato esse símbolo natalino nada mais é que uma herança pagã.



A tradição de se levar os pinheiros para casa e enfeita-los foi levada aos povos germânicos. As primeiras árvores de natal surgiram na Alemanha por volta de 1530. Existem hipóteses que essa tradição foi espalhada para o restante da Europa por conta de Lutero.



Quando eu estava procurando alguma coisa relacionada aos mitos e ocultismo vi um texto cristão que dizia que não podemos continuar com a tradição de fazer árvores de natal, pois é algo pagão do capiroto. Pior que realmente tem gente que pensa assim. Ainda bem que não ando com esse tipo de gente.


O xamanismo é um tipo de coisa que eu ainda quero entender mais. Não digo apenas ao que acontecia entre os celtas e nórdicos, mas também aos siberianos, esquimós e índios americanos. 



Quando fiz esse blog eu tinha a intensão de não apenas mostrar meus trabalhos, mas também minhas influências. Eu gosto de natureza nos meus desenhos e principalmente esses ambientes mais frios. Depois que eu comecei a desenvolver a ideia do meu mundo secreto (que agora não é mais secreto, pois conto aqui no blog) certas imagens, culturas, lendas e conhecimentos passaram a fazer parte desse local. Nada mais justo que falar um pouco das coníferas, já que os pinheiros são minhas árvores favoritas e eu queria viver na floresta cheia deles. Assim os bosques de pinheiros, florestas e pinheirais também são paisagens desse meu mundo interior, aliás, as paisagens principais.


(aquarela minha já postada aqui antes)


terça-feira, 28 de abril de 2015

Um pouco de voyeurismo na composição

Oi pessoal!



Vim postar hoje aqui o melhor desenho que fiz até hoje, pelo menos essa foi minha opinião. Digo isso por levar em consideração uma composição mais desafiadora e com mais elementos. Algo que tentei fugir da minha zona de conforto. Ultimamente tenho pensado mais em fazer desenhos mais complexos. Está na hora de aprender mais.



Assim, a composição ganhou perspectiva, diferentes planos, textura, duas figuras humanas em poses mais complexas (sim, pelo menos pra mim é difícil desenhar uma pessoa deitada) e iluminação artificial noturna em ambiente fechado. Além de testar umas técnicas novas para a pele e também marquinha de biquíni na mulher.





A ideia foi sim fazer algo erótico juntando coisas que gosto, como a casa de madeira e noite. Além de fazer um ambiente praieiro. Uma espécie de “tropical love”. Para isso a iluminação artificial em ambiente noturno gera mais dramaticidade e contraste na pele, o que contribui para enfatizar o corpo nu. Para isso eu tive que usar pontos de luz amarelos na pele, o guache usado com moderação ajudou nesse efeito, já que se fosse uma tinta muito transparente como a aquarela talvez não iria aparecer muito. Para isso também usei o pastel seco branco para a luz das luminárias de teto e na texturas da madeira, vidro e também ajudar na iluminação da cortina.





Eu vi que o ambiente estava grande, o que pedia para que eu colocasse mais elementos. Então pensei em algo que pelo menos na minha visão acabou dando certo, uma cortina em plano anterior ao casal! Além de poder usar uma estampa tropical para ajudar na decoração praieira da casa, a imagem teria mais textura (tecido) e iria fazer com que o espectador visualizasse a cena como um voyeur. Além do mais, o quarto onde o casal está teria um elemento para deixar o ambiente mais privado, no entanto com possibilidade do visualizador entrar no cômodo para espiar a cena


Vai aí umas fotos do processo





quarta-feira, 22 de abril de 2015

Aquarela com temática viking sobre papel 200 da canson

Oi pessoal!



Pois é, estou postando bem esses dias. Ainda mais agora que bateu aquela insônia que serve pra gastar tempo postando aqui.


Eu tenho feito alguns desenhos no papel 200 da canson de cor creme. Aquele que é indicado para desenho. A ideia é testar a aquarela nesse papel. Já vi que aquele canson 300 da linha universitária é uma bosta, então quero testar diversos papeis muitas vezes para poder escolher o melhor e mais em conta. Tenho certeza que os melhores são aqueles mais caros tipo arches, fabriano e papel de algodão. O problema é o preço.





Quando fiz aula de aquarela a professora pediu esse canson 200. Ao longo do curso eu acabei comprando o 300 da linha universitária. Quando dei monitoria de aquarela indiquei pro pessoal praticar em aula o papel 200. Agora estou aqui voltando para o 200.


Diversos desenhos e efeitos serão testados nesse papel para ver o que rola e o que não rola de fazer nele. O primeiro que vou postar aqui é o dos vikings. Tinha muito tempo que não desenhada essa temática que tanto gosto.






Já faz um tempo que venho pesquisando a respeito da cultura nórdica, vestimentas, arquitetura e costumes. Para um trabalho de ilustração mais sério é bom a gente fazer uma pesquisa na hora de desenhar as roupas e cenário, caso contrário fica algo super artificial e bem fora da realidade. Até que eu resolvi colocar os personagens com umas roupas realistas de acordo com as pesquisas que fiz.


Para a composição eu quis um cenário em local aberto, pegando um fundo com casas e vegetação. De fato aquela série Vikings ajuda muito nesse lance de cenário. Já que está sendo considerada por muitos historiadores uma série com cenário bem parecido com o original. Assim sendo eu também aproveitei para trabalhar um grupo maior de pessoas, quatro indivíduos, incluindo duas crianças. É bom sair da zona de conforto as vezes.


Foi muita água usada, principalmente para fazer o céu que se funde com a vegetação e o solo. As casas e as pessoas receberam uma quantidade normal de camadas. O problema foi o solo. Eu li em livros e em alguns tutoriais a respeito do sal na aquarela, que serve para chupar água e fazer efeitos de manchas e texturas. As vezes uso essa técnica e da muito certo. No entanto essa técnica é chatinha, depois de um dia toda a água que o sal chupa, ele devolve, ai fica aquela aguaceira toda no papel, podendo até manchar todo o desenho. Portanto é complicado de usar o sal em tempo de chuva, sendo mais indicado na época da seca onde a aquarela seca rapidinho. Essa água que o sal devolve não seca por nada desse mundo no período de chuva, ai a gente precisa retirar com papel toalha.


Essa parte do solo ficou bastante enrugada. E mesmo depois de seco, essa parte ainda está um pouco úmida. As outras partes também ficaram. Só as pessoas e as casas ficaram com um enrugado mais leve. De certa forma eu levo em consideração que o papel é de gramatura 200. Até porque ele absorveu pouco, isso já é um ponto bom. Também não ficou com aspecto danificado e se desfazendo igual a outros papeis que já usei. Ele é um papel bom e em conta, da pra brincar com ele. O problema é fazer muitas aguadas e usar o sal, principalmente em época de chuva, pois fica enrugado pra caramba como mostra na foto. Agora se for para fazer uma aquarela para um trabalho sério já é melhor usar um papel mais resistente.




Nesse trabalho eu resolvi fazer um mix de aquarelas. Usei as winsor e newton e faber castel porque sou maluca. Definitivamente a aquarela da faber castel é muito ruim e depois de seca fica acinzentada. Ela não passa de um guache vagabundo. Não sei o que deu na minha cabeça para misturar as duas. Usei também caneta nanquim 0.1 e 0.05 para acentuar algumas divisões e detalhes pequenos. Não contornei tudo, prefiro usar a caneta nanquim se uma forma mais suave.


infelizmente o scanner deixa as cores mais mortas e estou sem photoshop no momento


Não quero que ninguém se sinta ofendido pelo que falei da aquarela faber castel e do papel 300 da linha universitária. Eu falo essas coisas por já ter testado muito e divulgo minhas experiências e já aconteceu problemas em trabalhos de amigos meus que também pensam a mesma coisa. Portanto o ideal é a gente testar bastante para saber qual material mais se adéqua ao nosso trabalho.




Em breve eu posto mais aquarelas feitas no papel 200 da canson.