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quinta-feira, 15 de março de 2018

Ogiva de fadas


Havia muito tempo que eu estava doida para pintar um dos meus contos de fadas favoritos: Chapeuzinho Vermelho. Sempre imaginei fazer uma pintura não com uma criança, mas com uma adolescente. Pensei muitas vezes em utilizar o macabro para criar efeitos mais dramáticos na obra. Eu adoro imaginar que este é um belo conto de terror.


Um dia minha amiga Marguit veio a Brasília e pudemos fazer um acervo de fotos vestidas de Chapeuzinho Vermelho, para então eu poder fazer as pinturas e seus estudos originais. Infelizmente estava chovendo muito no dia e meus planos de tirar as fotos no parque Olhos d’água foram embora. Tivemos que ensaiar em um ambiente fechado.


Eu utilizo de fotos de minha autoria com modelos que se disponibilizam para posar. Já fiz um acervo deste com alguns modelos e dentre eles eu pintei 3 pessoas. Portanto, quem quiser aí colaborar comigo, seja bem vindo!


Nesta pintura eu quis ressaltar um aspecto não macabro, mas sim possuir um ar medieval e ao mesmo tempo fantasioso, mas com um pouco de pé no chão. Diferente de usar um lobo gigante e negro, eu preferi optar por um lobo de verdade e cinza. Para uma atmosfera medieval, além da roupa, eu utilizei uma borda dourada em formato de ogivas. Remetendo então ao dourado as iluminuras bizantinas e as ogivas da arquitetura da época tanto presente das catedrais e janelas. Para isso foi utilizada a folha de ouro. Esta foi a minha primeira experiência com o material. 


Da ogiva que veio o nome: "Ogiva de fadas", remetendo então ao medieval presente nos contos de nossa infância como uma verdadeira fã do período histórico. 


A imagem possui três planos: a Chapeuzinho, o tronco onde o lobo está subindo e o fundo da floresta, essa ultima com um ar mais fantasioso e nebuloso onde as árvores aparecem como listras claras num fundo escuro remetendo a uma atmosfera mais dramática e melancólica. 






Eu utilizei a imprimatura avermelhada (mistura de red light com sombra queimada) e as cores utilizadas na pintura foram: 
Flake white da Winsor and Newton
Ocre da Rembrandt 
Sombra queimada da Gamblin
Vermelion da Van Gogh
Preto da Corfix
Raw sienna da Pebeo
Terra verde da Rembrandt
Alizarim Crimson da Gamblin
Azul ultramar da Pebeo
Paynes Gray da Corfix


Hoje eu estou pintando um outro quadro da Marguit e quando ele ficar pronto, eu venho aqui para mostrar para vocês!



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Minha última pintura de 2016

Foi numa festa medieval em 2012 que eu tirei uma foto linda da Gabriela numa tocha acesa. Eles foram bem espertos de colocar aquilo na festa, pro pessoal fotografar. A imagem ficou linda e eu pensei em pintar um quadro dela.





Um ano depois eu pintei o quadro. Tinha comprado alguns manuais de pintura realista, porém é bem complicado seguir esses manuais sem ajuda de alguém já experiente para te dizer onde você está errando. Se tem uma coisa que muitos amigos artistas vão concordar comigo é que um momento da vida que é muito engraçado é quando  agente olha trabalhos antigos. Eu não sei se dou risada ou se choro por ter tido coragem de mostrar tanta porcaria na internet. A mesma coisa aconteceu com essa pintura. Na época eu achei até legalzinho e tive coragem de publicar aqui no blog.



Poucos meses depois da pintura pronta eu desisti de pintar com óleo. Falei que não era pra mim. Até que eu vi o anúncio da aula de pintura realista lá no Par de Ideias. Conheci o Marcelo, professor do curso. Fiquei nessa aula cerca de 3 anos para pegar as técnicas antigas de pintura tradicional.


Foi no final do ano passado que eu estava vendo minhas pinturas antigas e comecei a rir muito. Achei essa pintura da Gabriela e morri de vergonha, hahahaha. Eu pensei: a foto tão linda merecia uma nova pintura. Preparei uma tela com imprimatura escura e fiz o ebauche marrom com sombra queimada. Eu precisava salvar minha reputação depois de ter visto aquela pintura horrorosa que tinha feito em 2013.


Eu passei mais ou menos 3 semanas pintando o novo quadro da Gabriela, fechei o ano de 2016 salvando minha reputação como pintora, hahaha! Posso dizer que pelo menos depois de um semestre de tcc eu consegui terminar 2016 com uma pintura grande e que eu gostei. Eu sempre quis aprender a pintar de maneira acadêmica e em especial com essa iluminação dramática proveniente do Barroco. Acho que a imprimatura escura é um bom caminho para a pintura com esse jogo dramático de luz e sombra.


Foram muitas camadas no rosto para conseguir um resultado que me agradava. Eu tenho gostado muito do efeito das veladuras opacas na pele, elas realmente fazem a pintura saltar e ter o volume que agradam nossos olhos. Infelizmente essa mão não ficou como eu queria, eu devia ter feito outros estudos de mãos nessa pose, mas gostei das cores.


Concluí semana passada uma outra pintura com iluminação dramática com imprimatura escura. Em breve postarei aqui. Pretendo trabalhar mais vezes o jogo de luz e sombra barroco, fiquei apaixonada por isso!






Para quem tiver interesse, eu estou com uma turma de fundamentos da pintura no Par de Ideias na 112 Norte. Venha conversar com a gente!




Cores usadas:

Sombra queimada, Winton;
Vermelho da China, Corfix;
Ocre, Winsor and Newton;
Branco de titânio, Georgian Oil;
Alizarim Crimson, Gamblin;
Amarelo de cádmio, Winton;
Amarelo limão, Gamblin;
Azul cerúleo, Gamblin (sim, usei no fogo);
Terra de Siena, Pebeo;
Siena queimada, Pebeo;
Preto de marte, Maimeri;

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Minhas aquarelas em 2015

Oi pessoal!



Tempo que não posto nada no blog. Não abandonei e nem deixei de produzir. Apenas estava nos trabalhos finais e também tenho feito umas produções que levam mais tempo.


Como estamos no final do ano e acho que não vou mais fazer aquarelas por enquanto, já que agora estou pintando com óleo. Vim fazer aqui uma postagem sobre as minhas aquarelas de 2015. Eu tenho consciência que minha anatomia é péssima, mas é engraçado como a gente vê nossa evolução de um ano pro outro. Eu comecei o ano desenhando em caderninhos, mas deixei ele de lado e passei a fazer desenhos em papel A4 e depois colori com aquarela. Foram muitas aquarelas assim.


Este ano eu comecei a desenvolver outra forma de colorir a pele, antes eu usava o verde, agora aprendi a usar o marrom e o azul. No entanto eu acabei exagerando nas camadas e criando uma forma mais pesada de usar as aquarelas. Foram desenhos com muitas e muitas camadas. Não sei se quero continuar assim, eu até peguei 4 aulas de aquarela com a Maisa pra aprender técnicas novas. Não que eu também esteja querendo me desprender dessa pintura nova, mas é sempre bom a gente procurar coisas diferentes.


Em relação aos desenhos, eu procurei usar o cenário fechado, em especial as casas de madeira. A composição também foi melhorada, eu passei a dar mais atenção aos planos e também aos contrastes entre as cores. Se tratando de temas, no ano passado eu trabalhei muito as sereias, principalmente na série Girls Just Wanna Have Fun. Não que eu tenha abandonado, mas passei também a fazer mitologia e principalmente erotismo e soft porn para mulheres. Já tinha um tempo que queria voltar a fazer bruxas, temática que fiquei bastante inspirada no Canadá e aproveitei o mês de outubro pra desenha-las. O ano terminou com as séries das noites de narguilé, que são motivos eróticos para mulheres. 




Começo então com a elfa Gloria da Manhã. Ela foi um presente para o Leo. Foi quando eu passei a colorir a pele de outra maneira, substituindo o verde pelo marrom e azul, um pouco influenciada pela pintura tradicional. Este desenho foi querendo fazer uma elfa que cuida do jardim dessas flores chamadas glória da manhã. Assim eu quis trabalhar a questão dos planos, sendo bem marcado nas flores. O uso da perspectiva atmosférica e suavização da saturação também foi uma ideia colocada em prática para ajudar a criar profundidade. Na minha opinião foi um dos melhores desenhos que fiz na vida. Infelizmente eu usei aquele papel da linha universitária da canson, que é uma bosta e absorve água. Como eu uso muitas camadas, esse papel não ajuda em nada. Eu devia ter feito num papel melhor. Mesmo assim pra mim é um dos trabalhos que mantenho com muito carinho da minha memória.




Ainda na onda das sereias, fiz esta aquarela em formato paisagem. Eu acho que é um passo pra frente a gente inserir mais de duas figuras numa composição. O formato paisagem é algo que eu quase não exploro, confesso que tenho bastante dificuldade. O desenho em si eu não achei legal, mas a pintura eu curti. Procurei facilitar e fazer todas elas platinadas e parecidas. Eu tive que tomar bastante cuidado com as rochas e acabei usando pastel seco branco nelas. Também usei guache nos cabelos delas. Não acho que é proibido usar um mix de materiais nos nossos desenhos. Somos livres! Já discordaria quando se tratando de pintura a óleo. Foi desenhando sereias que descobri que dentro deste meu coração gelado há uma presença de ar californiano e tropical aqui. Influenciada também por filmes e pelo clipe “Don’t let me be the last to know” da Britney, sim, eu gosto dela e to nem aí pro julgamento alheio. Me perguntaram se eu tinha desistido de desenhar sereias. Não, eu não desisti, até desenhei outras, mas não ficaram tão legais quanto esse aqui. O que acontece é que eu tenho outras temáticas para trabalhar. 




Clima e amor tropical em alta e como já disse, fui influenciada também pela temática de “tropical love” e também pelas casas de madeira. Nada melhor do que juntar tudo e começar a trabalhar a temática erótica para mulheres. Foi a primeira vez que fiz uma marquinha de biquine e por mais que eu deteste bronzeado, eu gostei do resultado! Para deixar um ar de voyeurismo nessa cena onde a turista loira linda e o surfista gostoso terminam uma foda, fiz essa cortina com estampa vem verão, para que dê a impressão de que o espectador está espiando a cena. Até hoje é também um dos desenhos que mais gosto. Infelizmente o scanner muda muito as cores. A iluminação noturna foi algo que trabalhei muito em 2015, esta foi a segunda vez que fiz. Um ensaio anterior desta ilustração foi uma da série das sereias, onde a sereia que vira humana vai pra casa do surfista e faz amor com ele. Também era numa casa de madeira a noite. No entanto este ficou bem melhor.



Minha geração foi fortemente influenciada pelo goticismo e eu me amarro em temáticas obscuras. Não que vampiros seja meu tema favorito, mas eu gosto deles. Quis desta vez trabalhar um cenário exterior e com uma pegada medieval. Assim fiz esta escada com este mármore corroído. O desenho em si começou na escada, em especial neste corrimão medieval. Como era uma vampira, aproveitei para fazer algo bem sensual. Outro desenho que ficou com o Leo. 



Se tratando de desenho, pintura e temática, este da rede turquesa foi o meu favorito e mais polêmico! Ainda influenciada pelo “tropical love” e uma cena de sexo explícita na rede desta varanda na beira da praia. Outra vez eu fiz uma marca de biquine e curti. Outra coisa que gostei foi a pele deles. Não sei como consegui fazer esse efeito, mas consegui, isso que importa. Com este desenho e o do casal na casa de praia me fizeram ter mais vontade de trabalhar soft porn para mulheres. A maioria dos trabalhos eróticos são voltados para o público masculino e com corpos femininos bem exagerados. Tá na hora de fazer algo que as minas gostam.


Eu acabei fazendo vários desenhos da série dos narguilés. Um deles era uma composição com 4 figuras humanas, não lembro por qual motivo que eu tirei ele da minha página do facebook (acho que fui arrumar alguma coisa nele) e acabei perdendo o desenho, não encontro em lugar algum. Enfim, este casal foi o seguinte. Eu queria fazer uma pintura bem detalhada e eu acabei curtindo o resultado. Outra vez um cenário noturno em uma cabana de madeira. A mina com cabelos pretos e o cara cabeludo e barbudo. Sim, pra quem não sabe eu adoro esse visual viking. Essa série dos narguilés acabaram indo para a exposição la na Galeria Elefante. Infelizmente o último desenho da série não tive tempo de scannear, se não ele estaria aqui. 


Este desenho foi para a exposição. Não é bem um desenho que eu tenha gostado, acho que ele acabou ficando bem escuro e como já disse, tenho muita dificuldade em formato paisagem. Mas algo que eu curti nele foi a menina negra, achei que ela ficou bem bonita. Nesta série eu fiz outras meninas negras também que acabaram indo pra exposição. 




O mês das bruxas chegou e eu reservei o tempo livre para fazer aquarelas para o Halloween. Quebéc decorada para esta data estava maravilhosa e esta é uma temática que eu não vou abrir mão tão cedo. O primeiro desenho da série foi um ambiente fechado, uma cabana bem rústica na floresta, onde uma bruxa de cabelo mais armado e crespo faz um ritual. Aproveitei alguns elementos de quadros barrocos, já que queria algo mais obscuro num ambiente fechado. Este desenho acabou fazendo bastante sucesso. No entanto por ser muito escuro eu tive que usar também o guache, não da pra chamar apenas de aquarela. 



Ainda no mês de outubro eu fiz esta outra aquarela fugindo um pouco do que costumo fazer, acabou ficando um retrato. o bom que fugi do meu convencional. Um maldito problema em desenhar mãos. 



Este foi o favorito de muita gente, o mais macabro. Foi a foto que mais tive curtidas no instagram. O satanismo e demonologia é algo que eu ainda quero estudar. Aproveitei para fazer uma floresta onde todas as folhas das árvores estavam caídas no chão, logo o inverno chega. Ainda quero fazer muitos desenhos com uma pegada mais macabra, mas me falta estudar o satanismo. 





Eu fiz sim outras aquarelas. Algumas que não curti e outras que gostei, ms não estão aqui. Coloquei as que tiveram uma importância maior pra mim e também ficaria uma postagem gigantesca. Quem acompanha o blog sabe das outras aquarelas que fiz e também dos materiais usados. Dos materiais que nunca mais vou comprar e das dicas que dou. Agora estou ocupada com estudos de pintura a óleo, já que acabo me dedicando pouco a ela. Também em novembro me dediquei ao meu primeiro HQ, mas parei por conta da pintura a óleo. Ainda retomo nestas férias. 

Bom, este foi o resultado de um ano longe da UnB. Pude então me dedicar a fazer ilustrações sem ninguém me encher o saco por eu gostar de algo mais naturalista. Também tenho feito desenhos de arquitetura para complementar trabalhos. Terminei ois quadros nas aulas de pintura. 

domingo, 18 de outubro de 2015

Aproveitando o mês das bruxas para desenhar

Oi pessoal!



Aproveitei o mês das bruxas pra fazer uns desenhos com essa temática. O primeiro acabou saindo mais ou menos parecido com muitos outros trabalhos que tenho feito esse ano: ambiente fechado e escuro, com iluminação artificial, só que com caráter mais sombrio por se tratar de uma casa das bruxas. Eu adoro desenhar ambientes internos, seve ser porque estudo arquitetura e talvez seja uma forma de levar um pouco dos meus conhecimentos e a vontade de um dia poder construir casas de madeira. Ao menos nos meus desenhos e no meu mundo fantástico posso fazer isso, já que hoje em dia todo mundo no Brasil só quer saber de concreto, alvenaria tradicional e platibanda. 




Estava afim de fazer algo diferente, mudar um pouco o formato dos desenhos. Até que surgiu a ideia de fazer um rosto maior. Eu sempre faço figuras pequenas em papel A4, então este outro resolvi fazer algo mais retrato. Uma temática de bruxaria e de feitiços. 





Aproveitei pra fazer outro com ambiente natural, porém sombrio. Já tinha um tempo que queria desenhar algo mais diabólico, então surgiu este aqui! Quem disse que satanistas não podem ser bruxos?




sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Luis Ricardo Farelo

Oi pessoal!




Para o dia das bruxas trouxe pra gente um artista espanhol que trabalhou um pouco das temáticas mitológicas da cultura céltica, no caso das fadas, nus femininos, bruxas e também mulheres do oriente.


Luis Ricardo Farelo nasceu na Espanha em 1851 e morreu em 1896. Ele se mudou para Paris para estudar pintura, Química e Engenharia Mecânica, no entanto ele preferiu se dedicar a pintura a óleo. Depois foi estudar em Londes. Ele tinha interesses em Astronomia e costumava incorporar elementos celestiais em suas composições.


Infelizmente ele era um filho da puta, que costumava fazer sexo com sua empregada e usa-la como modelo. Quando descobriu que ela estava grávida, a pobre mulher foi demitida e anos mais tarde o filho pediu a paternidade. São essas coisas que fazem com que percebemos a vida de merda que as modelos levavam.


Alguns trabalhos dele nem parecem ser do século 19, parecem temáticas de um pintor atual que utiliza as técnicas tradicionais. Digo isso por conta de algumas pinturas sombrias com bruxas. Porém no século 18 e 19 houve na Inglaterra e de modo geral na Europa o movimento Romântico que traziam essas temáticas obscuras que tanto gosto. Um caso especial é o Goya, outro pintor espanhol. Assim sendo, Farelo é um dos percursores da Arte Fantástica.

Sou realmente uma pessoa que adora Arte fantástica, embora existam muitos artistas que tem essa temática que eu acho os trabalhos umas grandes merdas. Ainda mais que acaba também sendo a temática favorita de nerds punheteiros que nunca viram peitinhos ao vivo, aí fazem aquelas mulheres super exageradas.

Os Trabalhos de Farelo não é um pintor foda tratando da técnica, embora ele tenha alguns trabalhos muito bons. O que eu gosto realmente do trabalho dele é a temática fantástica, obscura e oriental por meio da técnica tradicional de desenho e pintura! Além de ser um dos primeiros a realizar a arte das fadas.




Orientais













Femininos







Obscuros, fantasiosos e bruxas



































Estudos e outros


podemos ver o grisalle e o ebauche