quinta-feira, 10 de março de 2016

Steve Hanks



Há ainda muita gente que desconhece a aquarela e que acha que ela é feita em tela. Também tem quem pensa que é um material escolar. A tinta a óleo ainda é um material mais valorizado. Talvez porque muita gente associa o desenho e a aquarela como um instrumento e não a obra em si, servindo apenas para estudos de composição para depois passar para a tela.

Eu sou dessas que acha a pintura a óleo a rainha das artes, mas reconheço que a aquarela e o pastel seco são ótimos meios. Admiro trabalhos a pastel, mas eu tenho tanta agonia de utilizar o material, sendo assim passei a me interessar por aquarela e óleo. Embora eu tenha respeito pelo óleo, a aquarela foi o material depois do lápis de cor que eu mais desenvolvi. Abandonei por completo os lápis e também sempre tive um pouco de insegurança e preguiça de usar óleo. Até que tive um interesse de saber de aquarelistas. Foi aí que eu conheci os trabalhos de Steve Hanks.

Hanks é um dos meus artistas favoritos. Sim, posso dizer que um dos artistas que mais gosto é aquarelista. Ele é considerado um dos maiores aquarelistas do mundo. Se alguém que estiver lendo souber de outros aquarelistas fodas como ele, podem compartilhar comigo! Eu adoro ver trabalhos bons!

O artista nasceu em San Diego em 1949 numa família militar e nas praias do sul da Califórnia. Assim, o oceano para ele sempre foi um forte elemento inspirador. Depois do ensino médio ele foi estudar na Academia de Finas Artes de São Francisco e depois tirou seu Bacharel no college.

O aquarelista denomina seu trabalho “realismo emocional”, já que ele procura explorar ângulos do rosto que expressam mais emoção do que a face frontal. Ele tem a luz como um de seus temas favoritos. É incrível o quanto que ele trabalha bem a iluminação! Acho que é justamente o seu jogo de luz e sombra o que eu mais gosto em suas aquarelas.
É obvio que esse tipo de realismo só é possível por meio de observação. Também é perceptível o uso de fotografia. No entanto eu não vejo o recurso da foto como uma trapaça, é um suporte, já que hoje é difícil de conseguir modelos. Além do mais o trabalho dele é a aquarela que por mais que esteja realista, o material ainda tem presença nem sua obra. Da pra notar que é aquarela. Além do mais se ele tivesse fazendo o que tem exatamente na foto talvez nem desse certo. Assim funciona um trabalho onde o artista tem que abstrair um pouco dessa fotografia e usar outras cores para luzes e sombras, evitando o preto.



É possível notar o quanto Hanks utiliza contrastes de cores complementares para fazer a iluminação. Podemos ver que ele utilizou a sombra puxada para o roxo quando se tem uma luz amarela. A mesma coisa com os tecidos brancos, que por sinal ele trabalha muito bem. Suas aquarelas provam que o tecido branco reflete cores e isso faz toda diferença para o volume.



Os relevos do trabalho do artista também são maravilhosos! Eles estão nas pedras, no tecido, nas manchas das paredes, da areia da praia, da água e chuva! É impressionante o quanto a obra é minuciosa, porém leve. A pintura não é pesada.





As praias, o mato, a casa, a beira do riacho são locais frequentes em suas pinturas carregadas de cenas bonitas, nostálgicas, alegres, familiares e emotivas. Hanks é casado e tem três filhos. Sua família é um dos temas que ele registra.  Crianças dando seus primeiros passos, família caminhando na praia, bebês, temas femininos, nus, crianças brincando na rua, a chuva, o mar, o corriqueiro, as paisagens e muita beleza envolvidas em camadas de água colorida.

A paleta dele pra mim é maravilhosa. Ele busca cores naturais, assim o marrom da madeira não é aquele marrom berrante que vem puro nos tubos de tinta. A mesma coisa do verde esmeralda artificial. Ele faz misturas bem naturais além de tirar proveito do jogo de cores e iluminação colorida. Portanto não é preciso escurecer tanto os tons de sombra, o contraste já vai criar essa noção de escuro. Bem possível que e ele não tenha utilizado o preto, talvez o neutral que ainda tem um pouco de roxo.



Outro aspecto interessante é a escolha de ângulos. Muitos trabalhos são mais harmônicos, mais equilibrados. Mas há também aqueles com recortes propositais para maior expressividade da cena.

É provável que Hanks utilize bons materiais. Não é por acaso que toda vez que vejo aquarelistas bons no Instagra em sua grande maioria usam tintas boas e pinceis de marta. Claro que tem gente usando material mais barato por aí e fazendo coisa bonita, mas há vantagens na escolha de bons produtos. Olhando a textura do papel, é quase certeza que ele utilizou um papel bem liso e de algodão. Um trabalho minucioso e realista como estes necessita de uma superfície bem lisa e pinceis que puxam muita água, como os de marta kolinsky. Também muitas camadas fazem parte de seu processo, para isso é preciso que o papel seja muito resistente, portanto o mais indicado é o papel de algodão. Muita água pode esfarelar um papel.


Seus trabalhos são maternais, paternais, femininos, delicados e que transmitem muita tranquilidade e paz. As cores também são suaves e naturais. A verdade é que o que ele faz é lindo e a arte também pode ser linda. A beleza enche nossos olhos  isso nos comove. 
































quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Estudo de natureza morta e cetim

Oi pessoal!



Eu consegui fechar o semestre com três telas, embora deveria ter feito muito mais. Esta terceira na verdade foi uma natureza morta. Um estudo de tecidos e texturas, portanto aproveitei um cetim rosa claro e umas porcelanas. Montei um pequeno cenário bem simples para uma tela bem pequena, mas digamos que bem "delicadinho". Geralmente eu pinto de observação de foto, mas desta vez não utilizei esse recurso, fiz na observação direta.


Já havia coisa pintada na tela, o que eu fiz foi aproveitar o chassi (a madeira) e coloquei outra lona. Depois preparei com gesso acrílico e imprimatura tradicional que eu faço de costume. O processo da pintura foi um pouco mais direto. Não que seja alla prima, pelo contrário, ele recebeu muitas camadas, processo bem tradicional. Quando falei direto quero dizer que não fiz aquele esquema de contornar o desenho com a camada fina de tinta diluída, o ebauche foi colorido.



Depois desse ebauche colorido eu fui fazendo as camadas até gerar o a pintura final. Essa porcelana deu um enoooooorme trabalho. Aproveitei pra testar misturas de cinza quente e frio para maior contraste. Assim algumas misturas foram feitas com branco de titânio e sombra queimada, outras com branco e preto de marte e outras com um pouco de Nápoles, também a mistura de todas essas cores usadas. Só lá pro final eu coloquei os pontos de luz que na verdade foram uma mistura de branco de titânio com uma pitadinha de preto de marte. Também coloquei um pouco do reflexo rosado do tecido na porcelana. Pontos de luz  apareceram no dourado da estampa do bule e do açucareiro.


Sempre tive uma enorme dificuldade de pintar tecidos, ainda mais cetim. A ideia principal era praticar o cetim. Para isso fiz um processo diferente do que eu costumava fazer. Antes eu ia clareando a cor base com os pontos de luz e escurecendo as sombras. Dessa vez eu fui direto na própria variação de cor que a luz faz no tecido. Já fui preparando na paleta diversos tons de rosa. Eu achei a cor maravilhosa e acho que quero fazer mais composições com esse cetim rosa claro tão fofo! Foram feitas muitas misturas usando uma cor que nem é tão tradicional assim, mas bem prática que é o flash tint (da winton), ou conhecido por aí como amarelo de Nápoles carne ou rosado. Assim sendo, variações usando sombra queimada, vermelho de cádmio, branco de titânio, amarelo de Nápoles, preto de marte e claro, o alizarim crinsom.



Depois de certas áreas terem secado, foi preciso fazer algumas veladuras, entre elas algumas transparentes. Assim eu descobri algo interessante que na verdade faz sentido, mas eu sou lerda e não tinha me tocado. Uma tinta transparente faz um glaci transparente muito melhor. O que é ótimo para sombras. Digo isso porque eu comprei uma terra verde da Rembrandt de ótima qualidade, no entanto muito transparente. Mas esta transparência foi ótima e pude usar até a mesma cor pura para as sombras do fundo.



Uma coisa importante a dizer aqui é que eu tenho uma terra verde da Pebeo que a cor é totalmente diferente da terra verde da Rembrandt da Talens, além da cor o pigmento da pebeo nem é transparente. Afirmo seguramente que a qualidade da Pebeo é inferior da Talens, portanto é devido a esse tipo de coisa que o melhor é procurar tintas com qualidade superior para ter tons e qualidade mais exata. A mesma coisa aconteceu com um alizarim crinson da marca Água que não era tão transparente quanto a da Gamblin. Se tratanto de tintas transparentes eu pretendo procurar outras desse tipo, alguns tons de marrom. Algumas marcas disponibilizam no rótulo a transparência/opacidade do produto.




Outra coisa que tenho notado é que o preto de marte é mais quente que o ivory black, que misturado com o branco praticamente forma um cinza azulado.

Cores usadas
branco de titânio
preto de marte
amarelo de nápoles
flash tint (winton)
amarelo ocre
vermelho de cádmio
sombra queimada
alizarin crinsom
terra verde (pebeo)
terra verde (rembrandt)
amarelo de cádmio 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tracy Lewis

Oi pessoa!



Estrou parada na minha HQ, já devia ter terminado o segundo capítulo e nada de sair. Mas acho que essa semana eu termino os desenhos para depois colorir. Enquanto isso vamos ver trabalhos lindos de artistas pelo mundo.


Eu conheci os trabalhos de Tracy Lewis pelo instagram, sou viciada em ver arte por lá. Lewis viveu muitos anos em Sierra FootHills, local onde em seus jardim havia uma casa da árvore, o que lhe possibilitou uma porta para o mundo artístico repleto de natureza, magia e fadas. Mais uma das artistas que seguem o ramo da arte fantástica. Sendo assim, fadas, flores, ciclos de vida e de estações são bem presentes em suas aquarelas originais.



O trabalho dela é feio por meio de aquarelas delicadas, no entanto com cores vivas. Seus rosas que entram em contraste com tons frios e quentes fazem de seu colorido um trabalho maravilhoso e marcante. Ele é bem feminino e delicado. A artista tem trabalhos lineares e quase gráficos (digo quase por conta da aquarela) e outros que transitam do linear ao pictórico. Eu vou confessar que não gostei dos trabalhos lineares mais gráficos, pode ser gosto, mas enfim, vou postar aqui os que mais gostei!














domingo, 24 de janeiro de 2016

Annie Stegg

Oi pessoal!



Este ano estou envolvida num projeto artístico pessoal e também no estudo de óleo. Portanto acho que teremos poucas postagens de trabalhos de aquarela. Como também demoro a pintar com óleo e logo minhas aulas voltam, também terei poucas postagens de pintura aqui. Sendo assim vim aqui mostrar uns trabalhos de uma artista que curti há alguns meses no facebook.


Annie Stegg é uma ilustradora que reside no norte da Georgia. Em 2004 ela tirou o bacharel em Artes, mas sua carreira se iniciou antes disso. Ela é uma artista/ilustradora que trabalha com mitologia e arte fantástica. Seus trabalhos contam com muita narrativa, como se uma única imagem contasse uma história inteira e eu adoro isso.


Suas ilustrações podem ser encontradas em jogos e editoriais, além das encomendas ela também faz trabalhos pessoais inspirados no folclore europeu. A representação do feminino e de animais também são frequentes em seus trabalhos, contendo um universo de fantasia para contagiar e instigar a imaginação do espectador.


No site oficial diz que a maior parte de seus trabalhos são feitos com tinta acrílica, mas também o óleo, aquarela e os lápis de cor não ficam de fora.



Um dos belos trabalhos foram as ilustrações do livro da Polergazinha, conto de fadas que tanto gosto! A artista também criou outros belos trabalho. Uma coisa que eu acho muito legal nas fotos que ela disponibiliza na internet é que mostra um pouco dos materiais dela, dos pinceis, das molduras, assim podemos saber mais ou menos quais as tintas que ela utiliza. 















segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mais um estudo a óleo, Camila

Oi pessoal!



Mais um quadro terminado! Já estava desesperada pra terminar antes de viajar. Pelo menos consegui. Parece que por eu ter pintado a pouco tempo o outro quadro da Camila, este novo ficou mais fácil e rápido. Tomara que eu consiga pegar esse bom ritmo de produção com tinta óleo. Como eu vivo dizendo aqui, sou meio travada com esse material, embora eu ache a tinta a óleo superior a todos os outros materiais. Eu produzo muito com aquarela, queria ter a mesma disposição para a pintura em tela.


Como já foi dito, esta é a mesma modelo do quadro anterior, a Camila. Fizemos uma seção de fotos na casa dela em menos de uma hora. Quando chamei as modelos para posar eu queria pintar pelo menos dois quadros de cada uma.


Acho que a partir do quadro passado eu já tenho um pouco de capacidade pra melhorar mais se eu praticar este ano. O que é um problema: praticar quando as aulas voltarem! Aquarela é bem rápido, em um ou dois dias eu termino uma bem elaborada, já este da Camila foram pelo menos 5 ou 6 dias de trabalho, o que eu achei bem rápido para uma pintura mais tradicional.


A primeira tela da Camila foi em um chassi que eu aproveitei e troquei a lona. Logo o algodão era fino e eu passei algumas camadas do gesso acrílico. Este quadro novo, embora do mesmo tamanho do outro é uma tela comprada no Aleixo e eles sempre fazem com uma lona de algodão bem grossa. Eu até cheguei a passar uma ou duas camadas do gesso acrílico, pois gosto da tela bem lisa. No entanto ainda ficou muito da textura do tecido. Devia ter passado mais umas duas camadas de gesso.


Outra coisa de diferente da outra tela é que a tinta branca usada foi a Flake White da Winton, uma tinta que obviamente é industrializada e que por sinal é super grossa. A outra tela foi feita com um branco de titânio produzido por mim, que era uma tinta bem rala, no entanto muito pigmentada. Por esses motivos esta pintura levou umas camadas bem grossas na pele, o que foi bom, já que a tela é tem muita textura, assim a parte onde está a pele da modelo ficou bem mais lisa que o resto do quadro. É até gostoso usar uma tinta grossa, acho que deixa tudo mais poderoso e forte. Essa ideia de cobrir a textura da uma grande diferença no quadro, sendo assim embora seja um pouco trabalhoso de usar a tinta grossa ainda mais em uma lona com muita textura, o resultado fica melhor do que uma tinta mais rala.


Outra diferença foi que eu fiz o ebauche com sombra queimada neste quadro, já o outro foi um ebauche colorido. Acho que vou passar a trabalhar mais com o ebauche colorido, ainda mais numa tela com muita textura. Um erro que cometi foi que eu deixei muito óleo no ebauche, assim sendo, é uma camada que demoraria mais a secar. Depois eu passei outra camada com o que podemos dizer que seria o começo da pintura, onde trabalhei o fundo, a modelo e os tecidos, ou pelo menos o começo e primeira camada deles. Como não é de se estranhar, por serem camadas menos oleosas, elas secaram mais rápido que a camada anterior, fazendo então um pequeno craquelado. Depois de todas as outras camadas, eu passei uma fina mão de tinta diluída para escurecer e fazer um glaci no fundo. Vamos ver o resultado disso daqui há uns anos. Vou passar o verniz de retoque depois que voltar de viagem e aí entrego ele para a Camila.

Que trabalho que tenho em pintar tecido, ainda mais cetim. mas é aquela coisa, tenho que tirar mais fotos de modelos com cetim para poder praticar. Dessa vez eu não precisei refazer o tecido verde, apenas fiz retoques na camada anterior e deu certo. 


As cores usadas não foram muito diferentes das cores do outro quadro:

Flake White (que na verdade se olharmos a composição é zinco e titânio, antigamente usavam chumbo)
Amarelo ocre
Vermelho de cádmio
Ivory black
Sombra queimada
Azul cerúlio
Terra verde (uma terra verde da Rembrandt e outra da pebeo, já que as cores podem ser diferentes de uma marca pra outra)
Terra de Sienna



Uma coisa meio idiota e ao mesmo tempo legal é que a minha bisnaga de Flake White quase acabou nesta pintura, o ocre da Winton acabou na pintura passada e logo o vermelho de cádmio vai terminar. Você deve está pensando: essa mulher é louca, querendo que as tintas acabem. Porém se pensarmos bem, se a tinta está acabando é porque estou produzindo. Claro que eu não quero desperdiçar material, quero usar da melhor forma possível. 

Se tratando das temáticas produzidas com o óleo, eu ainda estou descobrindo o que quero. Na aquarela eu gosto de trabalhar mundo fantástico e coisas mais criativas, já que é um material em que tenho mais facilidade e o óleo por ser mais difícil e poderoso, eu ainda estou fazendo estudos para quem sabe poder fazer arte fantástica com a pintura tradicional. Portanto, essas poses clássicas e tecidos estão sendo feitas pois quero aprender pelo menos o básico para depois criar produções mais elaboradas. Além do mais, a tela eu quero um trabalho mai tradicional e com observação nem que seja por meio de fotos, assim dificulta na hora de achar um cenário e roupas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Camila, óleo sobre tela

Oi pessoal!



Esta é a última postagem do ano e finalmente termino 2015 com uma pintura a óleo. Estas férias decidi selecionar modelos para fotografar e depois pintar. Algumas modelos se disponibilizaram para isso, outras meninas lindas que conheço não quiseram. Não era necessariamente pintura de nu. Pensei em retratos, mas a Camila aceitou nu e foi ótimo isso, pouco gente topa.


Fiquei com medo de não dar conta do serviço, mas cheguei a um resultado perto do que queria. Na verdade eu pensei que ia ficar longe disso, mas consegui. Infelizmente eu sou meio travada com óleo e tenho uma certa preguiça de lavar o material. Faz muita sujeira e eu fico com preguiça de continuar. No entanto como este quadro ficou pronto eu já comecei o ebauche do próximo, um outro nu com a mesma modelo.


Eu não cheguei a fazer uma postagem sobre a nova preparação de tela e o aproveitamento dos chassis. Eu tinha muitas telas paradas aqui em casa. Algumas que eu não iria continuar ou outras que eu acho horríveis. Para não precisar comprar telas novas, eu tirei a lona com a pintura e comprei algodão e um grampeador de estofado. Estiquei a lona nova nos chassis e preparei as telas. Novinhas para pintar!


Eu gosto de experimentar materiais e já tinha um tempo que eu queria usar um pigmento branco que tenho aqui em casa, um dióxido de titânio. Pra quem não sabe é com este pigmento que se faz a tinta branco de titânio. Cheguei a ler uns artigos de preparação de tinta. Eu não tenho todos os materiais, mas sei que o básico é pigmento e óleo, no caso usei o óleo de linhaça. Alguns dizem que era bom usar o óleo de nozes, pois amarela menos com o pigmento branco, mas o de linhaça era o que tinha aqui em casa. A tinta ficou bastante pigmentada, um pouquinho dela era suficiente para clarear outras tintas. Em relação a qualidade com o tempo é algo que eu não sei dizer. Se vale a pena? Acho que não. Justamente por não saber a influencia com o tempo, não tenho nenhuma segurança enquanto a isso. Eu não sei se ela vai amarelar com o passar dos anos. Também não digo que nunca mais vou fazer uma tinta artesanal. É trabalhoso e por enquanto inseguro pra mim, mas experimentar sempre é bem vindo.

(foto ilustrativa)



Bom, este foi o primeiro das férias e espero fazer pelo menos mais dois. Outra coisa que está consumindo meu tempo é um outro projeto, mas de desenho e aquarela que depois falo aqui sobre ele. No entanto espero que esta postagem sirva para mostrar pras outras modelos um pouco dos meus estudos e trabalhos com óleo. Como disse antes, não precisa ser nu. Isso vai do que cada modelo aceita fazer. 

Há ainda nele um retoque na perna que quero fazer que só percebi depois que eu pasei o verniz de retoque.

A imprimatura foi feita com o foundation white, ocre, um pouco de preto e sombra queimada, cores mais permanentes. Tirando esta preparação, todo o branco usado foi feito com o branco de titânio artesanal. Para a pele eu resolvi diminuir bem a paleta, ficando apenas com o branco, ocre, vermelho de cádmio, sombra queimada e preto. O cetim amarelo da cabeça foi feito com ocre, sombra queimada, vermelho de cádmio, um pouco de preto e amarelo de cádmio. O tecido verde me deu um belo trabalho, tive que refazer 3 vezes. Suas cores foram o terra verde da Rembranth, o terra verde da pebeo (sim, as cores podem variar muito de uma marca para a outra), branco, sombra queimada e preto. O marrom do tecido abaixo foi sombra queimada, preto, ocre, branco de titânio e vermelho de cádmio. O fundo foi complicado. Eu primeiro tinha feito uma mistura que fez uma tinta grossa de branco de titânio, ocre, azul cérulo e se não me engano um pouco de sombra queimada. No entanto eu não gostei e resolvi fazer uma camada transparente usando sombra queimada e ocre. 


Cores:
  • Branco de titânio (artesanal)
  • Ivory black
  • Amarelo ocre
  • Vermelho de cádmio
  • Sombra queimada
  • Amarelo de cádmio
  • Azul cerúlio
  • Terra verde




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Minhas aquarelas em 2015

Oi pessoal!



Tempo que não posto nada no blog. Não abandonei e nem deixei de produzir. Apenas estava nos trabalhos finais e também tenho feito umas produções que levam mais tempo.


Como estamos no final do ano e acho que não vou mais fazer aquarelas por enquanto, já que agora estou pintando com óleo. Vim fazer aqui uma postagem sobre as minhas aquarelas de 2015. Eu tenho consciência que minha anatomia é péssima, mas é engraçado como a gente vê nossa evolução de um ano pro outro. Eu comecei o ano desenhando em caderninhos, mas deixei ele de lado e passei a fazer desenhos em papel A4 e depois colori com aquarela. Foram muitas aquarelas assim.


Este ano eu comecei a desenvolver outra forma de colorir a pele, antes eu usava o verde, agora aprendi a usar o marrom e o azul. No entanto eu acabei exagerando nas camadas e criando uma forma mais pesada de usar as aquarelas. Foram desenhos com muitas e muitas camadas. Não sei se quero continuar assim, eu até peguei 4 aulas de aquarela com a Maisa pra aprender técnicas novas. Não que eu também esteja querendo me desprender dessa pintura nova, mas é sempre bom a gente procurar coisas diferentes.


Em relação aos desenhos, eu procurei usar o cenário fechado, em especial as casas de madeira. A composição também foi melhorada, eu passei a dar mais atenção aos planos e também aos contrastes entre as cores. Se tratando de temas, no ano passado eu trabalhei muito as sereias, principalmente na série Girls Just Wanna Have Fun. Não que eu tenha abandonado, mas passei também a fazer mitologia e principalmente erotismo e soft porn para mulheres. Já tinha um tempo que queria voltar a fazer bruxas, temática que fiquei bastante inspirada no Canadá e aproveitei o mês de outubro pra desenha-las. O ano terminou com as séries das noites de narguilé, que são motivos eróticos para mulheres. 




Começo então com a elfa Gloria da Manhã. Ela foi um presente para o Leo. Foi quando eu passei a colorir a pele de outra maneira, substituindo o verde pelo marrom e azul, um pouco influenciada pela pintura tradicional. Este desenho foi querendo fazer uma elfa que cuida do jardim dessas flores chamadas glória da manhã. Assim eu quis trabalhar a questão dos planos, sendo bem marcado nas flores. O uso da perspectiva atmosférica e suavização da saturação também foi uma ideia colocada em prática para ajudar a criar profundidade. Na minha opinião foi um dos melhores desenhos que fiz na vida. Infelizmente eu usei aquele papel da linha universitária da canson, que é uma bosta e absorve água. Como eu uso muitas camadas, esse papel não ajuda em nada. Eu devia ter feito num papel melhor. Mesmo assim pra mim é um dos trabalhos que mantenho com muito carinho da minha memória.




Ainda na onda das sereias, fiz esta aquarela em formato paisagem. Eu acho que é um passo pra frente a gente inserir mais de duas figuras numa composição. O formato paisagem é algo que eu quase não exploro, confesso que tenho bastante dificuldade. O desenho em si eu não achei legal, mas a pintura eu curti. Procurei facilitar e fazer todas elas platinadas e parecidas. Eu tive que tomar bastante cuidado com as rochas e acabei usando pastel seco branco nelas. Também usei guache nos cabelos delas. Não acho que é proibido usar um mix de materiais nos nossos desenhos. Somos livres! Já discordaria quando se tratando de pintura a óleo. Foi desenhando sereias que descobri que dentro deste meu coração gelado há uma presença de ar californiano e tropical aqui. Influenciada também por filmes e pelo clipe “Don’t let me be the last to know” da Britney, sim, eu gosto dela e to nem aí pro julgamento alheio. Me perguntaram se eu tinha desistido de desenhar sereias. Não, eu não desisti, até desenhei outras, mas não ficaram tão legais quanto esse aqui. O que acontece é que eu tenho outras temáticas para trabalhar. 




Clima e amor tropical em alta e como já disse, fui influenciada também pela temática de “tropical love” e também pelas casas de madeira. Nada melhor do que juntar tudo e começar a trabalhar a temática erótica para mulheres. Foi a primeira vez que fiz uma marquinha de biquine e por mais que eu deteste bronzeado, eu gostei do resultado! Para deixar um ar de voyeurismo nessa cena onde a turista loira linda e o surfista gostoso terminam uma foda, fiz essa cortina com estampa vem verão, para que dê a impressão de que o espectador está espiando a cena. Até hoje é também um dos desenhos que mais gosto. Infelizmente o scanner muda muito as cores. A iluminação noturna foi algo que trabalhei muito em 2015, esta foi a segunda vez que fiz. Um ensaio anterior desta ilustração foi uma da série das sereias, onde a sereia que vira humana vai pra casa do surfista e faz amor com ele. Também era numa casa de madeira a noite. No entanto este ficou bem melhor.



Minha geração foi fortemente influenciada pelo goticismo e eu me amarro em temáticas obscuras. Não que vampiros seja meu tema favorito, mas eu gosto deles. Quis desta vez trabalhar um cenário exterior e com uma pegada medieval. Assim fiz esta escada com este mármore corroído. O desenho em si começou na escada, em especial neste corrimão medieval. Como era uma vampira, aproveitei para fazer algo bem sensual. Outro desenho que ficou com o Leo. 



Se tratando de desenho, pintura e temática, este da rede turquesa foi o meu favorito e mais polêmico! Ainda influenciada pelo “tropical love” e uma cena de sexo explícita na rede desta varanda na beira da praia. Outra vez eu fiz uma marca de biquine e curti. Outra coisa que gostei foi a pele deles. Não sei como consegui fazer esse efeito, mas consegui, isso que importa. Com este desenho e o do casal na casa de praia me fizeram ter mais vontade de trabalhar soft porn para mulheres. A maioria dos trabalhos eróticos são voltados para o público masculino e com corpos femininos bem exagerados. Tá na hora de fazer algo que as minas gostam.


Eu acabei fazendo vários desenhos da série dos narguilés. Um deles era uma composição com 4 figuras humanas, não lembro por qual motivo que eu tirei ele da minha página do facebook (acho que fui arrumar alguma coisa nele) e acabei perdendo o desenho, não encontro em lugar algum. Enfim, este casal foi o seguinte. Eu queria fazer uma pintura bem detalhada e eu acabei curtindo o resultado. Outra vez um cenário noturno em uma cabana de madeira. A mina com cabelos pretos e o cara cabeludo e barbudo. Sim, pra quem não sabe eu adoro esse visual viking. Essa série dos narguilés acabaram indo para a exposição la na Galeria Elefante. Infelizmente o último desenho da série não tive tempo de scannear, se não ele estaria aqui. 


Este desenho foi para a exposição. Não é bem um desenho que eu tenha gostado, acho que ele acabou ficando bem escuro e como já disse, tenho muita dificuldade em formato paisagem. Mas algo que eu curti nele foi a menina negra, achei que ela ficou bem bonita. Nesta série eu fiz outras meninas negras também que acabaram indo pra exposição. 




O mês das bruxas chegou e eu reservei o tempo livre para fazer aquarelas para o Halloween. Quebéc decorada para esta data estava maravilhosa e esta é uma temática que eu não vou abrir mão tão cedo. O primeiro desenho da série foi um ambiente fechado, uma cabana bem rústica na floresta, onde uma bruxa de cabelo mais armado e crespo faz um ritual. Aproveitei alguns elementos de quadros barrocos, já que queria algo mais obscuro num ambiente fechado. Este desenho acabou fazendo bastante sucesso. No entanto por ser muito escuro eu tive que usar também o guache, não da pra chamar apenas de aquarela. 



Ainda no mês de outubro eu fiz esta outra aquarela fugindo um pouco do que costumo fazer, acabou ficando um retrato. o bom que fugi do meu convencional. Um maldito problema em desenhar mãos. 



Este foi o favorito de muita gente, o mais macabro. Foi a foto que mais tive curtidas no instagram. O satanismo e demonologia é algo que eu ainda quero estudar. Aproveitei para fazer uma floresta onde todas as folhas das árvores estavam caídas no chão, logo o inverno chega. Ainda quero fazer muitos desenhos com uma pegada mais macabra, mas me falta estudar o satanismo. 





Eu fiz sim outras aquarelas. Algumas que não curti e outras que gostei, ms não estão aqui. Coloquei as que tiveram uma importância maior pra mim e também ficaria uma postagem gigantesca. Quem acompanha o blog sabe das outras aquarelas que fiz e também dos materiais usados. Dos materiais que nunca mais vou comprar e das dicas que dou. Agora estou ocupada com estudos de pintura a óleo, já que acabo me dedicando pouco a ela. Também em novembro me dediquei ao meu primeiro HQ, mas parei por conta da pintura a óleo. Ainda retomo nestas férias. 

Bom, este foi o resultado de um ano longe da UnB. Pude então me dedicar a fazer ilustrações sem ninguém me encher o saco por eu gostar de algo mais naturalista. Também tenho feito desenhos de arquitetura para complementar trabalhos. Terminei ois quadros nas aulas de pintura. 

domingo, 18 de outubro de 2015

Aproveitando o mês das bruxas para desenhar

Oi pessoal!



Aproveitei o mês das bruxas pra fazer uns desenhos com essa temática. O primeiro acabou saindo mais ou menos parecido com muitos outros trabalhos que tenho feito esse ano: ambiente fechado e escuro, com iluminação artificial, só que com caráter mais sombrio por se tratar de uma casa das bruxas. Eu adoro desenhar ambientes internos, seve ser porque estudo arquitetura e talvez seja uma forma de levar um pouco dos meus conhecimentos e a vontade de um dia poder construir casas de madeira. Ao menos nos meus desenhos e no meu mundo fantástico posso fazer isso, já que hoje em dia todo mundo no Brasil só quer saber de concreto, alvenaria tradicional e platibanda. 




Estava afim de fazer algo diferente, mudar um pouco o formato dos desenhos. Até que surgiu a ideia de fazer um rosto maior. Eu sempre faço figuras pequenas em papel A4, então este outro resolvi fazer algo mais retrato. Uma temática de bruxaria e de feitiços. 





Aproveitei pra fazer outro com ambiente natural, porém sombrio. Já tinha um tempo que queria desenhar algo mais diabólico, então surgiu este aqui! Quem disse que satanistas não podem ser bruxos?