quinta-feira, 7 de julho de 2016

testando óleo sobe papel

Tem um bom tempo que não posto aqui! Não abandonei o blog, acontece que eu estou num projeto longo e tive pouco tempo para produzir outras coisas. Como estou de férias voltei a fazer uns experimentos e vim mostrar aqui para vocês.


Já tinha um tempo que fiquei sabendo de um papel para pintar com óleo. Achei a ideia prática para fazer estudos, pois telas ocupam espaço. Além do mais eu me amarro em ilustração, mas até então eu só fazia com aquarela. Pensei em juntar arte fantástica com o óleo e um pouco do conhecimento que tenho do material. A proposta era testar tinta óleo num papel de gramatura 300 (papel de aquarela).

Eu não cheguei a comprar o papel próprio disso, então antes da aquisição pensei em fazer uns estudos com papel que tenho aqui em casa. Claro que antes de pintar eu fiz a imprimatura, só que com menos óleo do que se usa na tela. Feito isso fiz um desenho com lápis e depois o ebauche. Dois dias depois fiz a pintura em uma madrugada só.

A princípio era um retrato, mas aí resolvi colocar um universo fantástico no meio. Pensei em algo meio folk, com penas saindo dos cabelos dela. Também aproveitei para fazer colagens com papel prata, já que era em um papel e uma experimentação.


O resultado foi esse. Por enquanto não houveram rachaduras e nenhum problema com o papel, ele continua bem resistente e nada de absorver o óleo. As penas não secaram ainda, acho que amanhã elas ficarão secas. Já tenho mais outro estudo sendo feito sobre papel. Depois venho aqui com o resultado.



Cores usadas:

Mixed white (é uma tinta branca que é feita com a mistura de zinco e dióxido de titânio)
amarelo de nápoles
amarelo de nápoles rosado
ocre
vermelho de cádmio
sombra natural
preto
terra de sienna
sienna queimada
griz de payne

sábado, 16 de abril de 2016

Ali Cavanaugh

Ali Cavanaugh é uma artista norte americana nascida em 1973. Ela estudou pintura num College e depois fez residência em Nova York.



A artista tem fama nacional e internacional e seus trabalhos são objetos de muitas exposições nacionais, internacionais, coletivas e individuais. Além de também serem capas de CD, revistas e numerosas publicações impressas, incluindo The New York Times Magazine, American Art Collector, Aquarela do artista americano. Ela pintou retratos da revista Time e The New York Times. Seu trabalho é destaque em mais de 400 coleções particulares e corporativos em toda a América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. Atualmente vive em St. Louis, Missouri, com o marido e os quatro filhos.


Em relação ao seu trabalho as palavras da pintora são: “Minha dependência do mundo visual começou quando eu perdi muito da minha audiência através de meningite aos 2 anos de idade. Esta perda foi uma bênção disfarçada como eu aprendi a depender de linguagem corporal e leitura de lábios para se comunicar. Então, de meus dias mais jovens, tornei-me sensível às pessoas ao meu redor e a linguagem silenciosa reveladas por meio de composições do corpo humano.


Meu fascínio com a dicotomia da existência visível e invisível em humanos tem sido uma pedra angular conceitual para a maior parte da minha carreira como um artista figurativo. É no momento de hesitação quando se passa para o espaço interior do pensamento, que eu encontrar inspiração. Eu me esforço para pintar não só as feições delicadas da pessoa externa, mas para capturar a presença invisível concurso que transcende a compreensão em profundidade de uma alma. Na minha experiência em trabalhar com as pessoas que eu pinto, eu descobrir repetidamente o profundo mistério da existência.”

Ela passou os últimos sete anos desenvolvendo seu processo e se refere a suas pinturas como "afrescos modernos", porque eles são tão singularmente diferente do que o que nós sabemos de pinturas como aquarela tradicional. Este revestimento de argila da superfície é delicada ao toque, mas muito resistente ao meio da aguada.


Cheguei a ver o site oficial dela e seus trabalhos tem fases diferentes. H[a uma fase bem realista, embora o trabalho seja feito com aquarela. Mas a fase que mais gostei foi a immerse, onde ela pinta crianças abusando de cores frias, como verde água para as sombras. Assim podemos notar um efeito de água ou reflexo dela nas lindas crianças. A pintura é bem manchada, no entanto bem realista. É um verdadeiro trabalho delicado! 













quinta-feira, 10 de março de 2016

Steve Hanks



Há ainda muita gente que desconhece a aquarela e que acha que ela é feita em tela. Também tem quem pensa que é um material escolar. A tinta a óleo ainda é um material mais valorizado. Talvez porque muita gente associa o desenho e a aquarela como um instrumento e não a obra em si, servindo apenas para estudos de composição para depois passar para a tela.

Eu sou dessas que acha a pintura a óleo a rainha das artes, mas reconheço que a aquarela e o pastel seco são ótimos meios. Admiro trabalhos a pastel, mas eu tenho tanta agonia de utilizar o material, sendo assim passei a me interessar por aquarela e óleo. Embora eu tenha respeito pelo óleo, a aquarela foi o material depois do lápis de cor que eu mais desenvolvi. Abandonei por completo os lápis e também sempre tive um pouco de insegurança e preguiça de usar óleo. Até que tive um interesse de saber de aquarelistas. Foi aí que eu conheci os trabalhos de Steve Hanks.

Hanks é um dos meus artistas favoritos. Sim, posso dizer que um dos artistas que mais gosto é aquarelista. Ele é considerado um dos maiores aquarelistas do mundo. Se alguém que estiver lendo souber de outros aquarelistas fodas como ele, podem compartilhar comigo! Eu adoro ver trabalhos bons!

O artista nasceu em San Diego em 1949 numa família militar e nas praias do sul da Califórnia. Assim, o oceano para ele sempre foi um forte elemento inspirador. Depois do ensino médio ele foi estudar na Academia de Finas Artes de São Francisco e depois tirou seu Bacharel no college.

O aquarelista denomina seu trabalho “realismo emocional”, já que ele procura explorar ângulos do rosto que expressam mais emoção do que a face frontal. Ele tem a luz como um de seus temas favoritos. É incrível o quanto que ele trabalha bem a iluminação! Acho que é justamente o seu jogo de luz e sombra o que eu mais gosto em suas aquarelas.
É obvio que esse tipo de realismo só é possível por meio de observação. Também é perceptível o uso de fotografia. No entanto eu não vejo o recurso da foto como uma trapaça, é um suporte, já que hoje é difícil de conseguir modelos. Além do mais o trabalho dele é a aquarela que por mais que esteja realista, o material ainda tem presença nem sua obra. Da pra notar que é aquarela. Além do mais se ele tivesse fazendo o que tem exatamente na foto talvez nem desse certo. Assim funciona um trabalho onde o artista tem que abstrair um pouco dessa fotografia e usar outras cores para luzes e sombras, evitando o preto.



É possível notar o quanto Hanks utiliza contrastes de cores complementares para fazer a iluminação. Podemos ver que ele utilizou a sombra puxada para o roxo quando se tem uma luz amarela. A mesma coisa com os tecidos brancos, que por sinal ele trabalha muito bem. Suas aquarelas provam que o tecido branco reflete cores e isso faz toda diferença para o volume.



Os relevos do trabalho do artista também são maravilhosos! Eles estão nas pedras, no tecido, nas manchas das paredes, da areia da praia, da água e chuva! É impressionante o quanto a obra é minuciosa, porém leve. A pintura não é pesada.





As praias, o mato, a casa, a beira do riacho são locais frequentes em suas pinturas carregadas de cenas bonitas, nostálgicas, alegres, familiares e emotivas. Hanks é casado e tem três filhos. Sua família é um dos temas que ele registra.  Crianças dando seus primeiros passos, família caminhando na praia, bebês, temas femininos, nus, crianças brincando na rua, a chuva, o mar, o corriqueiro, as paisagens e muita beleza envolvidas em camadas de água colorida.

A paleta dele pra mim é maravilhosa. Ele busca cores naturais, assim o marrom da madeira não é aquele marrom berrante que vem puro nos tubos de tinta. A mesma coisa do verde esmeralda artificial. Ele faz misturas bem naturais além de tirar proveito do jogo de cores e iluminação colorida. Portanto não é preciso escurecer tanto os tons de sombra, o contraste já vai criar essa noção de escuro. Bem possível que e ele não tenha utilizado o preto, talvez o neutral que ainda tem um pouco de roxo.



Outro aspecto interessante é a escolha de ângulos. Muitos trabalhos são mais harmônicos, mais equilibrados. Mas há também aqueles com recortes propositais para maior expressividade da cena.

É provável que Hanks utilize bons materiais. Não é por acaso que toda vez que vejo aquarelistas bons no Instagra em sua grande maioria usam tintas boas e pinceis de marta. Claro que tem gente usando material mais barato por aí e fazendo coisa bonita, mas há vantagens na escolha de bons produtos. Olhando a textura do papel, é quase certeza que ele utilizou um papel bem liso e de algodão. Um trabalho minucioso e realista como estes necessita de uma superfície bem lisa e pinceis que puxam muita água, como os de marta kolinsky. Também muitas camadas fazem parte de seu processo, para isso é preciso que o papel seja muito resistente, portanto o mais indicado é o papel de algodão. Muita água pode esfarelar um papel.


Seus trabalhos são maternais, paternais, femininos, delicados e que transmitem muita tranquilidade e paz. As cores também são suaves e naturais. A verdade é que o que ele faz é lindo e a arte também pode ser linda. A beleza enche nossos olhos  isso nos comove. 
































quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Estudo de natureza morta e cetim

Oi pessoal!



Eu consegui fechar o semestre com três telas, embora deveria ter feito muito mais. Esta terceira na verdade foi uma natureza morta. Um estudo de tecidos e texturas, portanto aproveitei um cetim rosa claro e umas porcelanas. Montei um pequeno cenário bem simples para uma tela bem pequena, mas digamos que bem "delicadinho". Geralmente eu pinto de observação de foto, mas desta vez não utilizei esse recurso, fiz na observação direta.


Já havia coisa pintada na tela, o que eu fiz foi aproveitar o chassi (a madeira) e coloquei outra lona. Depois preparei com gesso acrílico e imprimatura tradicional que eu faço de costume. O processo da pintura foi um pouco mais direto. Não que seja alla prima, pelo contrário, ele recebeu muitas camadas, processo bem tradicional. Quando falei direto quero dizer que não fiz aquele esquema de contornar o desenho com a camada fina de tinta diluída, o ebauche foi colorido.



Depois desse ebauche colorido eu fui fazendo as camadas até gerar o a pintura final. Essa porcelana deu um enoooooorme trabalho. Aproveitei pra testar misturas de cinza quente e frio para maior contraste. Assim algumas misturas foram feitas com branco de titânio e sombra queimada, outras com branco e preto de marte e outras com um pouco de Nápoles, também a mistura de todas essas cores usadas. Só lá pro final eu coloquei os pontos de luz que na verdade foram uma mistura de branco de titânio com uma pitadinha de preto de marte. Também coloquei um pouco do reflexo rosado do tecido na porcelana. Pontos de luz  apareceram no dourado da estampa do bule e do açucareiro.


Sempre tive uma enorme dificuldade de pintar tecidos, ainda mais cetim. A ideia principal era praticar o cetim. Para isso fiz um processo diferente do que eu costumava fazer. Antes eu ia clareando a cor base com os pontos de luz e escurecendo as sombras. Dessa vez eu fui direto na própria variação de cor que a luz faz no tecido. Já fui preparando na paleta diversos tons de rosa. Eu achei a cor maravilhosa e acho que quero fazer mais composições com esse cetim rosa claro tão fofo! Foram feitas muitas misturas usando uma cor que nem é tão tradicional assim, mas bem prática que é o flash tint (da winton), ou conhecido por aí como amarelo de Nápoles carne ou rosado. Assim sendo, variações usando sombra queimada, vermelho de cádmio, branco de titânio, amarelo de Nápoles, preto de marte e claro, o alizarim crinsom.



Depois de certas áreas terem secado, foi preciso fazer algumas veladuras, entre elas algumas transparentes. Assim eu descobri algo interessante que na verdade faz sentido, mas eu sou lerda e não tinha me tocado. Uma tinta transparente faz um glaci transparente muito melhor. O que é ótimo para sombras. Digo isso porque eu comprei uma terra verde da Rembrandt de ótima qualidade, no entanto muito transparente. Mas esta transparência foi ótima e pude usar até a mesma cor pura para as sombras do fundo.



Uma coisa importante a dizer aqui é que eu tenho uma terra verde da Pebeo que a cor é totalmente diferente da terra verde da Rembrandt da Talens, além da cor o pigmento da pebeo nem é transparente. Afirmo seguramente que a qualidade da Pebeo é inferior da Talens, portanto é devido a esse tipo de coisa que o melhor é procurar tintas com qualidade superior para ter tons e qualidade mais exata. A mesma coisa aconteceu com um alizarim crinson da marca Água que não era tão transparente quanto a da Gamblin. Se tratanto de tintas transparentes eu pretendo procurar outras desse tipo, alguns tons de marrom. Algumas marcas disponibilizam no rótulo a transparência/opacidade do produto.




Outra coisa que tenho notado é que o preto de marte é mais quente que o ivory black, que misturado com o branco praticamente forma um cinza azulado.

Cores usadas
branco de titânio
preto de marte
amarelo de nápoles
flash tint (winton)
amarelo ocre
vermelho de cádmio
sombra queimada
alizarin crinsom
terra verde (pebeo)
terra verde (rembrandt)
amarelo de cádmio