quinta-feira, 1 de agosto de 2013

RESENHA: Guaches da Talens

Oi pessoal!




Eu só tinha feito resenhas de materiais produzidos por mim artesanalmente. Porém acho que é bom fazer resenha de todos os materiais que uso para compartilhar experiências com vocês. Dizer minha opinião das coisas, que nem as blogueiras de blogs de moda fazem quando compram maquiagens e esmaltes. Ainda mais quando a gente tem curiosidade de comprar um material que é caro, mas fica com medo se o produto não é aquilo que a gente imagina.

No meu primeiro semestre de Artes Plásticas na UnB, eu tive uma disciplina obrigatória onde a professora mandava a gente fazer estudo de cores com guaches da Talens. Ela fazia mil propagandas sobre esse guache, que as cores eram lindas e não tinha nem comparação com esses guaches de papelaria. Eu achei um absurdo o preço, 17 reais um vidrinho de 16 ml (isso foi em 2009 na Casa das Artes, nem sei quanto custa hoje). A gente tinha que comprar 5 cores: amarelo, ciano, magenta, preto e branco. Claro que não comprei. Até pouco tempo atrás, eu associava guache a tinta escolar, tinha preconceito e me recusava a pagar caro em qualquer material, ainda mais em guache (sim, eu não comprava material caro de forma alguma).

Até que minha amiga comprou e eu vi que realmente os guaches Talens eram bons mesmo, porém queria dar o braço a torcer. Achava que não valia o preço. Ainda mais que na época eu usava apenas lápis de cor e tinta óleo.

Quando eu comecei a usar aquarela, eu pude entender mais sobre materiais. Pra quem não sabe, a aquarela é basicamente pigmento, goma arábica e glicerina. O guache é basicamente isso e mais a carga, uma substância que serve tanto pra deixar tudo mais encorpado e também é responsável pela opacidade do guache. Essa é a diferença de guache para aquarela: aquarela é transparente e guache é opaco.

Comecei a me interessar um pouco por guache quando fazia grama com aquarela. Eu precisava de algo mais opaco pra conseguir fazer uma grama que me agradasse e a ideia surgiu de usar guache. Até que minha mãe foi pra Roma e eu pedi pra ela comprar materiais, dentre eles os guaches da Talens. Pedi para ela comprar as cores três cores primárias: lemon yellow, light blue (cyan) e permanente rose (magenta). Também o black intenso, branco, o vermelho (já que é meio chato sempre fazer um vermelho misturando amarelo e magenta) e um marrom (deep brown). Minha mãe comprou  e por engano comprou também uma cor linda a mais, o lilás.

(não sei responder pq o vermelho tem embalagem diferente)

Para você que quer economizar dinheiro, com 5 cores: amarelo, magenta, ciano, preto e branco você pode fazer todas as cores. Claro que com dificuldade, por isso achei melhor comprar um marrom e um vermelho.



Conheci gente que critica esses guaches, falando que é uma bosta, que é muito grosso e difícil de usar. O que acontece é que esse guache é muito pigmentado (e talvez também tenha muita carga), sendo assim, é mais fácil usar misturando com água (e fazendo assim você vai economizar muito, já que usando ele puro, acaba num instante). Fiz uns testes e vi que fica com muita textura quando se usa puro (o que pode ser uma qualidade dependendo do que você pretende fazer). Misturando com água você ainda consegue obter resultados bem opacos (mas claro que se não jogar muita água né, ta querendo muito). Há também como usar guache de uma maneira mais aquarelada se misturar com muita água. 




Aqui vai um dos testes: a primeira linha é o guache puro, a segunda guache com um pouco de água e a terceira com efeito aquarelado. Notem a textura do guache Talens se for usado puro. 

OBS: Eu tinha feito um teste de efeito aquarelado num papel de gramatura 200 da canson e não ficou bom, parece que absorveu muito, fiz no de gramatura 300 da mesma marca e ficou bem melhor. Infelizmente a imagem não está nítida.



Brincando de fazer misturas: a primeira coluna da vertical e da horizontal são as cores puras das bisnagas e as outras colunas são suas misturas:


As cores puras das bisnagas com suas nuances e tons (mistura com preto e branco) - o guache branco quase não apareceu.


Efeito aquarelado e sua transparência:
notem que o marrom (cor 5) é bem avermelhado, não gostei dessa cor, devia ter escolhido outro marrom. A oitava cor é o branco.


Efeito aquarela com manchas



Com essas três cores mais o preto e branco você consegue fazer todas as outras cores

Encontro de tintas



Mistura de cores e efeito aquarelavel: notem que os pigmentos parecem que são compativeis. Geralmente na aquarela quando você mistura duas cores e faz um trabalho bem aguado, certos pigmentos não "aceitam" se misturar com outros e acabam fazendo manchas (mostrando as duas cores). Isso acontecem somente na quinta, sexta e sétima bolinha e foi bem de leve.


Por foto nem se nota tanto



Alguns efeitos que minha professora de aquarela chama de "couve flor" aproveitando tanto a opacidade quando a transparência:


 (achei esse pigmento preto meio grosseiro, da pra notar que parece uma areia preta bem fina, porém ele é bem forte).


O que achei: gosto muito do material e achei que valeu a compra. É um material indicado pra quem gosta de aquarela e claro, do próprio guache. Eu ainda não experimentei outros guaches profissionais, então só tenho certo “embasamento” em relação aos guaches de papelaria, como faber castel, acrilex e outros. Realmente ele é bem melhor. Notei também que o pigmento do guache preto é grosseiro em relação aos outros (como foi dito antes), mas uma qualidade é que ele é MUITO forte. O marrom também é meio grosseiro, imagino que o pigmento seja terroso (esse efeito areia é comum em tintas feitas com pigmentos terrosos).

Lembrando que eu não sou dona da verdade e o que coloquei aqui são meus experimentos e minha opinião.


Aqui vai um pedaço da grama do trabalho da postagem passada, foi feito com os guaches da Talens. Gosto de fazer a grama com efeito mais opaco pra que ela possa cobrir o que está atras dela, nesse caro cobrir o barco. Não ficou 100% opaco pois misturei com muita água e também fiquei com medo de ficar com textura.


Um desenho que pintei o fundo com o guache amarelo e água



Vai aqui o catálogo de cores dos guaches Talens (dos tubos de 20ml)



Notem a parte que fala da resistência a luz, 42 de 60 cores tem mais de 100 anos de resistência a luz dadas as condições de um museu. Infelizmente na embalagem eles só colocam o código do pigmento e não o nome dele.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Casal fugindo - aquarela e guache

Oi pessoal!
Estou de férias, finalmente, porém logo minhas aulas começam.
Eu fico com peso na consciência por não fazer nada nas férias e pensei em pintar. Bateu uma baita preguiça de terminar os retratinhos nos pedaços de mdf, então decidi fazer uma coisa que não fazia há um bom tempo: AQUARELAS.
Terminei uma ontem e comecei ontem um desenho novo, porém nem terminei esse segundo.
Não estava afim de quebrar a cabeça, já que férias é pra relaxar, então decidi fazer um desenho bem livre, sem pensar em nada. Peguei um papel de aquarela, fui desenhando e vi no que dava. Enfim, saiu um casal num barco, decidi fazer meio que uma cena de casal fugindo. Há muitas histórias de casais que fogem, quem sabe ela pode servir para ilustrar uma delas, né.
Estava afim de trabalhar iluminação noturna e coloquei essa tocha. Depois que já estava pintando pensei em algo: “se eles estão fugindo, o fogo vai fazer com que todo mundo possa saber onde eles estão, dãããã!” Mesmo assim nem liguei. Eu gostei do resultado.


Usei aquarelas da Winsor & Newton e guaches da Talens na grama.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Camylla esculpindo - óleo sobre tela

Oi pessoal!

Estou tão ocupada com os trabalhos finais, nem acredito que arrumei um tempinho hoje pra postar aqui.

Todos os quadros que deveriam está prontos pra apresentação de amanhã (disciplina Pintura 2) já foram concluídos. Eu comecei outras 2 telas bem pequenas em MDF só pra fazer exercícios de pintura, apenas trabalhando cores novas e a beleza. Porém esses não fazem parte da série que desenvolvi pras aulas de pintura.

Assim que as aulas desse semestre começaram eu estiquei um jeans enorme que comprei pra fazer de tela. Na loja não tinha algodão, então comprei jeans, que também é um pano bem resistente. A cor do tecido não importa, já que podemos passar tinta branca nele na hora do preparo ou se preferir pintar direto na superfície colorida do pano.

Eu estava fazendo umas contas sobre esse lance de preparar a tela com o tecido e depois mandar colocar o sarrafo nas lojas de moldura. Acaba saindo quase o mesmo preço ou mais caro, visto que você vai precisar de cola e os materiais para preparar essa tela. Um tubo de cola cascorez não é muito barato. Mas como não estou querendo ocupar espaço da minha casa colocando telas enormes, então acaba ficando mais barato e ocupando menos espaço deixar a pintura enrolada depois de seca.

Eu estiquei o jeans e passei duas camadas de cola cascorez. Uma bem diluída com água e assim que secou, passei uma outra camada com menos proporção de água. A última camada eu passei uma tinta acrílica creme de parede que achei aqui em casa.
Fiz a pintura na metade do tecido, já que não estava afim de fazer pinturas gigantes. Acabou que o tamanho dela ficou de 70 cm por 90 cm.

Esse semestre conheci uma menina muito bonita e gente boa que fez uma disciplina comigo. Eu pedi para pinta-la pro meu trabalho, mas como toda vez dava algum desencontro na hora de tirar uma foto dela, optei por pegar uma foto muito linda que tinha no facebook dela.
A técnica não foi diferente de todas as outras que tinha feito anteriormente nesse semestre. Pra quem não se lembra, estudei um pouco das técnicas de Caravaggio e essa iluminação dramática que tanto me agrada. Resolvi colocar um fundo avermelhado misturando o light red da winton com outras cores.

A serie no geral ficou muito marrom por conta da cor sombra queimada e do marrom vandyke. Então eu resolvi inserir um pouco de cor neste quadro, usei uma mistura de verde inglês, sombra queimada, ocre e amarelo de Nápoles e ficou esse verde oliva da camisa. Eu não sou muito fã de cores e meus trabalhos no geral têm cores mais acinzentadas e verdes mais “militares” (verde oliva, musgo e etc) do que verdes mais alegres. Pinturas muito coloridas não me agradam muito e nessa série, o colorido foi deixado de lado, dando mais importância para as sombras e a construção com os marrons.

Uma vez a minha professora de Pintura 1 tinha me dito que tem vezes que é melhor fazer pontos de luz com amarelo de Nápoles do que com o branco puro. Eu li algumas coisas sobre pintura tradicional que diziam a mesma coisa, não citando o amarelo de Nápoles, mas diziam que não era bom usar o branco. Realmente essa é uma dica de ouro e deixa o trabalho mais natural.

Eu perdi as contas de quantas mil camadas de sombra queimada, marron vandyke e a mistura deles com preto marfim eu passei nessa tela. Ainda mais pra fazer ajustes no fundo (que me deu tanto trabalho para chegar ao tom desejado) e no cabelo.

Amanhã será a apresentação de pintura e eu estou bem nervosa. Cagaram meu trabalho na outra apresentação e já sei que não vai ser diferente nessa de agora. Como meu professor fala, as pessoas tem a tendência a dizer que o que é belo não vale. 




Esse foi o maior quadro da série, uma pena que não sei fotografar telas.





quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pâmella - óleo sobre tela

Oi pessoal!

Já tem tempo que terminei esse quadro. Essa menina que está fazendo uma linda trança no cabelo é a Pâmella, o cabelo dela é preto e enorme! Espero que ela não invente de passar a tesoura nele.

Outra vez fiz baseando naquelas técnicas que já disse aqui mil vezes. Quis explorar um fundo mais avermelhado nessa pintura para deixar mais dramático.
Acho que dessa série, foi o quase que mais gostei.

Na época que comecei a pintar, eu ganhei 3 tubos da winton (winsor &newton) do Werbete, tintas que eu adorei, em especial o marrom vandyke. Ele me deu o ocre, o marron van dyke e esse vermelho meio amarronzado (light red) que usei no fundo dessa tela (claro que misturado com outras cores). Essas tintas são realmente boas e bem pigmentadas.




Não tenho bem um passo a passo, mas tenho uma foto dele só no carvão e das primeiras camadas:


(camadas bem diluídas de sombra queimada e óleo de linhaça)


Ficou assim

(não sei tirar foto de telas, o brilho do óleo apareceu na imagem dando essa impressão de  coisa cinzenta no fundo)

Detalhes



Cores usadas


domingo, 7 de julho de 2013

Cabelos de sereia - aquarela e guache

Oi pessoal!

Finalmente terminei uma aquarela que não fosse trabalho de Arquitetura e nem trabalho de faculdade algum e sim um trabalho que fiz sem obrigação alguma.

Sabe aqueles dias que você tira seu caderno de desenho da bolsa só pra ter algo pra fazer? Em um dia desses, eu desenhei por desenhar o rosto de uma sereia e acabei gostando muito do resultado e fiz mais alguns desenhos parecidos no caderno.  Pensei em transformar até em xilogravura, mas como estou sem condições e preguiça de gravar, resolvi fazer algo que já estou acostumada a fazer: aquarela.

Peguei um papel A3 bonito e de aquarela e com a qualidade melhor do que aquele mais baratinho da Canson (de capa amarela e vermelha) e fiz o desenho. Comecei a aquarelar um pouco o rosto dela e fiz os peixes com aquarela e guache da Talens (amo). Usei também uma caneta branca pra retoques nas bolhas. Depois disso o desenho ficou parado por 3 meses. Esses dias tomei vergonha na cara e terminei.


É bom conhecer também os efeitos que um bom guache pode fazer junto com aquarela (ou somente ele). As tintas guaches usei nos peixinhos, já que eu queria cores vibrantes neles.




Essa aqui é a tal caneta a base de óleo que usei pra fazer os pontos de luz nas bolhas



Zoom




E pra dizer também que quero fazer isso no meu cabelo, platinar e fazer um ombré hair rosa e turquesa (mas querer não é poder).

domingo, 30 de junho de 2013

Fazendo giz pastel em casa

Oi pessoal!

É tão bom ter tempo de postar aqui!

Uma das coisas pendentes que nunca tinha tempo pra postar são coisas relacionadas ao estágio supervisionado. Eu já disse que estou fazendo o segundo estágio da faculdade e dei aulas de desenho no Centro de Convivência (CRAS de Sobradinho), um local que ajuda crianças e adolescentes com vulnerabilidade social.  Em uma das oficinas de desenho trabalhamos a luz e sombra e ótimos materiais para isso são os giz de pastel, já que da pra esfumaçar muito com eles.

Para ficar mais barato eu resolvi fazer os bastões. Existem diversos aglutinantes e um deles que é bem em conta (e de graça) é a meleca da babosa, planta que todo mundo tem em casa. Os pigmentos eu comprei uma caixa de pó xadrez preto (custou 10 reais) e o dióxido de titânio que custou mais caro, cerca de 25 reais com o frete. Ficou uma compra cara, mas é um ótimo pigmento e da pra aproveitar pra muita coisa. Pra quem não sabe, as tintas a óleo brancas que tem o nome de branco de titânio são feitas basicamente com esse pigmento e óleo de linhaça.


comprei nesse site AQUI

Eu peguei uma travessa de vidro e misturei o pigmento e o aglutinante até formar bastões. Fiz isso com o pó xadrez preto e com o dióxido de titânio. É um trabalho chatinho e confesso que os pasteis nem ficaram bonitos. Se você pretende fazer pasteis mais bonitinhos, indico usar uma seringa como forma. 

essa coisa feia não é meleca de nariz, ok? É a meleca da babosa, aglutinante de graça!



 O giz pastel preto é para fazer as sombras e caso você esteja usando um papel colorido ou cinza, pode usar o branco para fazer pontos de luz. Indico fazer a experiência com o papel pardo.

Aqui estão os pasteis prontos





Uma curiosidade é que terra também é pigmento e existem terras com muitas tonalidades diferentes. Aqui em Brasília a terra costuma ser bem avermelhada. Você pode fazer os pasteis marrons em casa e de graça ao invés de pagar 5 reais e cada um deles em uma loja de materiais de arte.





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Desenho do edifício

Oi pessoal!

Saudade de postar aqui. Tenho muitas postagens pendentes, mas estava sem tempo. Hoje eu terminei uma disciplina de 8 créditos que estava ajudando a acabar com meu sono, é Projeto de Arquitetura 5, nela tivemos que projetar a superquadra 207 norte de Brasília, que é a única quadra do Plano Piloto que não foi construída. Ninguém sabe ao certo o motivo pelo qual não tem nada por lá, sei que o terreno pertence a UnB e sabe como a UnB é pra tomar providência pras coisas.

Ei tinha que fazer uma maquete de um dos edifícios, porém ela ficou uma grande bosta e com vergonha disso, eu resolvi fazer um desenho em perspectiva (amo). Eu também não sei fazer 3D e pretendo nessas férias entrar num curso de Revit pra aprender isso logo.

Nos edifícios, cada apartamento tem uma varanda em balanço e nelas tem um jardim suspenso para levar a natureza para os moradores já que diferente de uma casa, os apartamentos não possuem um terreno próprio da família. Sendo assim, os moradores podem ter uma certa autonomia em relação a sua pequena área de jardim.

Eu já falei que a graduação fica menos chata quando a gente desenha e usa aquarelas.


Está aqui o desenho antes de aquarelar


Eu cometi alguns errinhos e arrumei enquanto coloria. Usei minhas aquarelas da Pentel (um jogo de 12 cores) que fazia MUITO tempo que não usava. - Muitos falam mal da aquarela da Pentel, é claro que ela não é ótima como a Cotman e muito menos quanto a Winsor and Newton, mas eu já fiz muitos trabalhos legais com ela - vai ai meu desenho colorido e com os ajustes (como por exemplo o guarda corpo da cobertura:

Essa fachada verde é uma parede verde por uma questão estética, de conforto (ela deixa o ambiente interno mais fresco) e por uma questão ecológica.

(foto apenas para ilustrar o que é uma parede verde)


domingo, 19 de maio de 2013

Projeto de Trabalho Educativo


Oi pessoal

Estou no 7° período do curso de licenciatura em Artes Visuais da UnB e estou fazendo o meu último estágio obrigatório. Eu tenho que cumprir 20 horas e estou estagiando no COSE – Centro de Convivência (SEDESTE) de Sobradinho DF, onde me receberam muito bem. O local atente crianças e adolescentes no período contrário a aula deles. Eu escolhi fazer um conjunto de oficinas de desenho ao invés de dar aulas em uma escola, acho que fazer em um local alternativo está mais de acordo com a proposta do trabalho.

O nome do projeto é “Aprendendo a desenhar o corpo humano” e esse projeto é composto por 4 oficinas: oficina de composição e elementos da composição, oficina de desenho de observação (com esquemas, proporções e geometrização das formas),  oficina de luz e sombra e oficina de como inserir a figura em um ambiente e perspectiva.

É visto que o ensino de desenho (e ênfase) no Ensino Fundamental é deixado de lado após o 5° e 6° ano. É comum ouvir comentários de estudantes que se dizem incapazes de desenhar e fazer representações (sejam elas da realidade ou fantasiosas) por meio de desenhos. É preciso que os estudantes recebam um pouco de motivação, auxílio e mediação para que eles deixem o medo de desenhar de lado para poder desenvolver melhor suas composições para que eles consigam representar a realidade ou elementos de suas imaginações por meio do desenho. A proposta então é de fazer oficinas de desenho para grupos de alunos entre 11 a 12 anos, já que grande parte deles acabaram de concluir a primeira fase do Ensino Fundamental.

Eu confesso que estava nervosa, já que nunca tinha dado aulas antes e ainda mais para crianças, porém foi melhor do que eu esperava.
Para concluir as 20 horas o mais rápido possível, eu resolvi estagiar nos dois turnos da quinta feira e no turno da manhã na sexta feira. Então o que aconteceu foi que eu peguei duas turmas, uma da manhã e outra da tarde.

Nessa primeira quinta feira, realizamos a primeira oficina, que é a de composição e elementos da composição, como por exemplo, trabalhar a centralização no papel, o sentido horizontal e vertical, simetria e ênfase no aproveitamento do espaço. Eu sempre tocarei essa tecla com eles. O material usado foi papel A3 para que eles pudessem desenvolver melhor o traço. O primeiro exercício foram “rabiscos” para aquecer a mão. Depois os elementos da composição foram vistos e trabalhados em um desenho de tema livre. Depois de pronto, os desenhos foram comentados de forma mais motivadora possível.  Após essa tarefa, trabalhamos o desenho de figura humana, onde a composição e o aproveitamento de espaço foram levados em consideração.

A turma da manhã era composta pela maioria de 11 anos e no geral eles estavam bem tranquilos. Pode ser por ser o primeiro dia de oficina, bom, espero que continuem assim. Eles eram tímidos e na hora de falar, eles ficavam calados. Na atividade de aquecer a mão, eles ficaram bem receosos e com medo de “errar”, porém esse era apenas um aquecimento. Em geral nessa turma, esse exercício foi bem "tímido" e eles ficaram bem preocupados.

(o trabalho do Vinicius eu achei que lembro um pouco o Kandinsky)


 Depois disso, trabalhamos o desenho de tema livre levando em consideração o sentido horizontal ou vertical. A maioria resolveu fazer paisagens por conta do sentido horizontal da folha. 

(esse trabalho eu achei bem interessante, o Edimar virou pra mim e me pediu uma outra folha dizendo que tinha "errado". Eu perguntei o motivo do erro e ele me disse: "fiz o castelo no canto e devia ter sido no centro" então trabalhamos juntos no que ele achava que tinha errado e acabou que o desenho ganhou uma floresta, fazendo com que a composição aproveite maior espaço do papel)


(outra composição bem interessante, onde o Vinicius trabalhou corações no centro e aproveitou o espaço para colocar flores, nuvens e outros elementos)

 (outro trabalho bacana, onde o Vinicius fez algo diferente, todos fizeram paisagens com o papel no sentido horizontal e ele fez uma paisagem com o papel na vertical. Ele aproveitou bem o espaço e fez um desenho bem fofo)

(vejo que esse típico desenho de casa e árvores está meio que impregnado na cabeça das crianças e todos nós já  fizemos o mesmo. Não que eu esteja reclamando dos desenhos (esse foi tema livre) e outra coisa, mudar o tipo de paisagem não é bem a proposta do trabalho, já que a ênfase é no desenho do corpo humano. Isso é apenas uma observação minha).


Agora vai ai alguns desenhos de figura humana! Os meninos e eu estávamos empolgados nesse momento e tivemos desenhos bem bacanas! 


(uma pena que o traço do Edimar ficou muito fraquinho e eu sou uma péssima fotógrafa, pros vascaínos de plantão, ele fez um jogador do vasco)

(muitos deles gostam de mangá, alguns disseram que vão trazer pro próximo encontro umas revistinhas)

(Um dos maiores desafios de lidar nesse trabalho é com a falta de auto confiança das crianças. As vezes eu não sei se é preguiça ou se é falta de auto estima. Essa garotinha que fez esse desenho passou o encontro todo dizendo que não sabia desenhar. Eu sentei ao lado dela e disse que ninguém nasce sabendo e que eu não estava la pra dizer se ela estava desenhando feio ou bonito e sim estava la pra trabalhar com ela para que o grupo possa desenvolver o desenho. Ela disse: “a menina ficou vesga” e eu disse “mas existem pessoas vesgas no mundo, não é”. Foi um momento de descontração até bacana, todos nós rimos. O desenho dela não é tão diferente dos desenhos dos outros colegas, porém ela colocou na cabeça que não sabe e é preciso que trabalhemos nisso).


A turma da tarde é composta por crianças mais agitadas, porém eles eram mais participativos na hora de falar. Algo que achei bem bacana e diferente da outra turma é que na hora do aquecimento (aquele exercício de riscar) eles botaram mesmo a mão na massa e soltaram o traço. 



A composição e seus elementos foram vistas pela turma da mesma forma que na turma da manhã, porém grande parte deles acharam chato (o que eu temia) e no geral o resultado ficou diferente dos alunos da manhã. Claro que alguns trabalhos saíram bem bacanas. Da mesma forma como na manhã, após o exercício de aquecimento, um desenho livre foi feito para trabalhar com a centralização, aproveitamento de espaço, sentido vertical e horizontal. Em geral nas duas turmas, o pessoal gostou de usar paisagens para fazer composições mais horizontais.



(Esse desenho da Sabrina ficou muito bacana. A Sabrina é uma menina de 12 anos que gosta muito de desenhar, tanto ela quanto o irmão de 11, o Iuryk. Os dois gostam de mangá. Esse trabalho dela já apresenta um pouco de perspectiva, além de ficar bem diferente do desenho dos outros colegas)

Depois fizemos desenhos de figura humana e também tivemos resultados bem legais.



(Esse é o desenho do Iuryk, irmão da Sabrina. O pessoal gostou muito do trabalho dele. Aos poucos vamos trabalhar mais e inserir o desenho de mãos e pés - que ele não fez)

(Outro desenho da Sabrina que o pessoal também adorou)

(a menina que começou a fazer esse desenho fez essa boneca maior antes de todas, sem levar em consideração a centralização e o aproveitamento de espaço. A verdade é que eu percebi que ela estava com preguiça, então chegamos a conclusão de colocar mais outras garotinhas pra aproveitar mais o espaço da folha, mas ela não quis terminar o desenho).

(Esse desenho está legal, a menina já tem uma noção das curvas do corpo feminino e seios).


Bom pessoal, por enquanto fizemos isso. Aos poucos vou postar aqui (tentarei fazer isso semanalmente) para quem tiver interesse em acompanhar e também para divulgar o trabalho. Eu não coloquei todos os desenhos de todos os alunos, afinal ocuparia muito espaço e também eu nem sei se a maioria deles continuarão indo pras oficinas.