sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Desenho 3 e Mitologia Nórdica

Olá pessoal!

Fiquei um bom tempo sem postar nada, não tinha nada em mente e também não produzi nada.

Tinha um tempo que já estava pensando em fazer uma divulgação do meu trabalho final de Desenho 3, mas como eu estava sem câmera e foram produzidos em papel A3, não tinha como escanear (não tenho scanner tamanho A3) e muito menos colocar na internet. 


Cursei Desenho 3 no 2° de 2010. Na UnB a disciplina desenho 3 é para que comecemos a desenvolver nossa poética. A primeira parte do semestre foi de treino, reprodução e criação, já a segunda parte nós iríamos produzir nosso trabalho final de acordo com nossa poética. 

Infelizmente nosso professor Marco faleceu e como não tínhamos outro professor para substituir, o professor Sérgio Rizo nos orientou no trabalho final. Perdemos bastante tempo por conta dessa fatalidade e tivemos que fazer nosso trabalho em pouco tempo.

A minha proposta foi de fazer desenhos naturalistas sobre Mitologia Nórdica. O professor Rizo me deu bastante apoio para fazer desenhos mais clássicos, porém ele achou muito estranho o tema Mitologia Nórdica e me perguntou de onde eu tirei isso. Perguntou se eu gostava dos quadrinhos do Thor. Depois perguntou se a influência foi por conta da música e citou Wagner. Eu não conhecia nada dos quadrinhos do Thor, nem o tinha o filme ainda. De certa forma, eu comecei a me interessar pelos vikings e sua mitologia por conta da música, por conta do Folk Metal e também sempre gostei de Wagner. Eu também sempre gostei da Era Medieval, do inverno, de povos antigos e etc. Foi até meio difícil explicar isso tudo a ele.

Ele não aparentou gostar muito da proposta e disse que eu tinha que valorizar mais o nacional e perguntou o que eu achava de misturar isso com a cultura nacional, como por exemplo, colocar o passado medieval brasileiro (índios) nos meus desenhos misturando com essa mitologia. Deu um exemplo de um Thor índio. Eu preferi não me manifestar, pois achei essa idéia uma grande MERDA. De onde ele tirou um Thor índio???

Até que depois ele disse que eu poderia sim fazer um trabalho sobre mitologia nórdica e vikings como na realidade, mas que isso seria um trabalho de ilustração (não que ele tivesse algo contra, ele até gosta). Para isso, ele disse que eu teria que fazer uma boa pesquisa sobre roupas, deuses, lendas, moradias, armaduras e etc.

Disse que eu poderia fazer cenas com 1 a 3 pessoas numa folha A4 e se eu fosse usar aquarela, era bom usar um papel de gramatura 300.

Achei o papel A4 muito pequeno e resolvi comprar papel A3 e aqueles pinceis que misturam pêlos sintéticos com pêlos de marta. E sobre as aquarelas, bom, eu tinha um estojo de 12 cores da Cotman que nunca tinha usado e coloquei tudo em prática sem saber nenhuma técnica de aquarela. Ao todo foram 6 desenhos, mas só mostrei 5, um deles ficou uma porcaria e joguei fora.

O primeiro desenho que fiz foi de dois vikings lutando. Tive que pesquisar roupas, espadas e capacetes. Também procurei imagens de vikings lutando.


O segundo e mais demorado foi o das valquírias. Tive que fazer muitos esboços, pesquisar imagens de cavalos e usar a minha irmã e o namorado dela como modelos (claro que eles não fiaram nus). Como valquírias são seres mitológicos, eu criei uma roupa para elas, mas para os guerreiros mortos as roupas foram realistas.


O terceiro desenho foi o da Deusa Frigga. O que me deu trabalho nesse desenho foi a roca. Procurei fazr uma roupa realista. A cor azul é a cor de Frigga e li também que os vikings utilizavam bastante o pigmento azul para tingir tecidos. Coloquei os broches de mulheres vikings, que eram usados para enfeitar e guardar agulhas (caso elas precisassem de costurar alguma coisa).  Coloquei também aquelas asas de ouro típico do imaginário romântico para dizer que ela é uma deusa.




O quarto desenho foi fácil de fazer, foi a deusa Freyja. Nela eu também coloquei as asas de ouro na cabeça. Usei cores que lembram algo mais sedutor e também inventei a roupa dela, mas usei algumas decorações vikings nas peças de ouro e bordados.





 Quase não fiz o sexto desenho. Por acaso não deu tempo pro professor me avaliar no dia e eu aproveitei mais um tempo pra produzir alguma coisa, já que o quinto desenho tinha ficado um lixo. Acabei desenhando Odin, afinal é o deus principal. Procurei fazer Odin do jeito em que ele aparece na terra. Cabeludo, barbudo, com uma capa escura, lança e chapéu de abas longas. E claro, não esqueci de deixá-lo caolho, já que ele trocou um dos olhos pelos corvos Huginn e Muninn.






Os desenhos foram produzidos em bem pouco tempo e eu não conhecia nenhuma técnica na época. Felizmente o esforço valeu a pena, passei com SS, mas ainda ouvindo o sermão de que eu deveria valorizar o nacional.

Hoje conheço muitas técnicas em aquarelas e mudei a minha paleta de cores.

Espero que o próximo trabalho de Mitologia Nórdica em aquarela fique melhor.

sábado, 20 de agosto de 2011

Iman Maleki

Planejei tirar o dia para terminar um desenho em aquarela e começar a fazer outro, mas o calor estava tanto que me deu muita preguiça, ao menos a pintura está quase pronta.

Já que não terminei, vim postar alguma coisa aqui, não algo qualquer, a postagem de hoje é sobre Iman Maleki, um pintor hiper realista iraniano. O pintor ganhou os prêmios William Bouguereau e o "Chairman´s Choice" no II Concurso Internacional de Art Renewal Center. É Muitos consideram Maleki como o melhor pintor realista do mundo, o que não é exagero, o cara manda muito bem mesmo, é um gênio.

O artista nasceu em Teerã em 1976. Aos 15 anos aprendeu técnicas de pintura com Morteza Katouzian. Em 1998 participou de algumas exposições de arte.Terminou sua graduação em Design Gráfico em 1999 na Universidade de Artes de Teerã. Se casou em 2000 e em 2001 começou a ensinar pintura, considerando os valores clássicos e tradicionais.

 As exposições mais importantes que ele participou foram: Exposição de Pintores Realistas do Irã no Museu de Arte Contemporânea de Teerã (1999) e a Exposição do Grupo de Pintores KARA em Sabz Gallery (1998) e no Palácio As’ad ABAD (2003). Em 2005 recebeu o prêmio William Bourguereau.






















sábado, 13 de agosto de 2011

Receita e história da tinta têmpera e tinta a óleo: transição da tinta têmpera para tinta a óleo

A postagem de hoje explica como fazer a tinta têmpera e a óleo, para isso, tenho que contar a história delas e da transição da têmpera para a óleo, ou seja é um tema que anda com a História da Arte.
Esse tema faz parte das aulas de Materiais em Arte 1 da UnB e também foi um trabalho que eu e um amigo meu (o Ramon) apresentamos em Fundamentos da Educação Artística.


Tinta Têmpera

A têmpera, que vem latim (temperare) significa misturar ou aglutinar, é a tinta mais antiga que temos. Foi usada na Antiguidade, Idade Média e na Renascença, nos murais das dinastias do Egito, Babilônia, Grécia, China e primeiras decorações da arte cristã.
Na maioria das vezes, era produzida pelos próprios artistas. Poucos fabricantes comercializavam as tintas para essa técnica. Na verdade, cada um tinha uma maneira de produzir.
Sua composição é basicamente: gema de ovo (sem película) + água + pigmento. 
Seu diluente e solvente é a água. Os aglutinantes podem ser: o soro de leite (têmpera caseína), gema de ovo sem película(têmpera ovo) e a clara de ovo batida em neve (têmpera albumina).

Características:

ela é resistente a ação do tempo;
sua secagem é rápida (o que não permite a mistura das cores no suporte);
seu efeito é brilhoso e transparente;
é solúvel em água;
mantém o registro das pinceladas;
não sofre rachaduras tardias;
depois de seca as cores mantêm-se muito próximas às do pigmento original;


Receita da Têmpera Ovo:

15 ml de gema de ovo sem a película (teoricamente a película evita o cheiro do ovo, mas quando eu fiz essa têmpera, tirei a película e continuou fedido);
9 gramas de pigmento em pó ou 3 a 4 ml de pigmento líquido;
7 ml de água;

A água e o pigmento deve ser adicionados aos poucos. Se preferir, pode acrescentar 15 ml de óleo para aumentar o tempo da secagem.


Receita da Têmpera Albumina:

15 ml de albumina da clara do ovo;
9 gramas de pigmento em pó ou 3 a 4 gotas de pigmento líquido;
7 ml de água;

A albumina é o soro resultante da clara em neve, então é preciso separar em um recipiente fechado a clara em neve, e aguarde a completa decantação do soro. Depois é só misturar aos poucos a água e o pigmento.


                               Cimabue, Crucifixo de São Domenino- 1268-1271  




       Piero della Francesa, O Batismo de Cristo- 1442




Duccio di Buoninsegna, A Virgem Sagrada e Cristo Menino com São Domenico e sta Áurea, têmpera s/madeira 


Tinta a óleo


 (Leonardo da Vinci)

E tinta a óleo é a técnica de cavalete mais importante, popular e mais estudada. Desenvolveu-se por mais de seis séculos na Europa.
Foi conseqüência das modificações na elaboração da tinta têmpera e surgiu por ETAPAS.
A mais antiga das pinturas a óleo conhecida foi elaborada na Noruega no século XII. Ela é anterior aos irmãos Hubert (1366-1426) e Jan Van Eyck (1390-1441). Muitos pensam que Jan Van Eyck inventou essa tinta, mas na verdade o que ele criou foi uma tinta com óleo de secagem mais rápida. É provável que ele e outros pintores holandeses do século XV tinham azeites com boas propriedades secantes. Também a terebentina já era um diluente.


                                     O Casal Arnolfini (óleo sobre madeira 1434)


O uso do óleo como aglutinante foi inicialmente mais difundido no norte da Europa que no sul. No século XV começou a transição gradual da têmpera para a tinta óleo. Muitos artistas usavam as duas técnicas em seus quadros, começavam com a têmpera e terminavam com a óleo.
Em 1475, Antonello da Messina levou o óleo para Veneza, e o pintor Giovanni Bellini alcançou todas as suas possibilidades e especificidades técnicas. Em Veneza, a técnica foi muito bem aceita e assim difundida pela Itália e pelo resto da Europa. A partir daí a riqueza das cores, o brilho e a estética renascentista se desenvolveram de maneira triunfante.


                                  Antonello da Messina- óleo sobre tela-1476-1478  



                                       Giovanni Bellini, óleo e têmpera 1501-1505 

Durante o século XVII, a prática de pintar quadros inteiramente com óleos aumentou e virou uma atividade rotineira. No mesmo século, houve um incremento da oferta na produção de tintas por profissionais, e até o século XVIII era possível comprar linhos preparados para pinturas e tintas a óleo guardadas em bolsas de couro. Também inventaram os pigmentos sintéticos, aumentando a paleta de cores. Em 1704, surgiu o azul da Prússia que substituiu o azurita e o azul ultramarino, que eram bem mais caros. Em 1750 surgiu o amarelo de Nápoles que substituiu a purpurina amarela. Em 1802 surgiu o azul de cobalto. Em 1828 o azul ultra marino foi produzido sinteticamente, ficando mais barato. No século XIX, as tintas passaram a ser comercializadas em tubos de estanho. Com isso, os artistas não precisavam perder tempo fabricando suas tintas.

Composição:







      

Pigmento + óleos vegetais (linhaça, papoula, nozes, soja, girassol, cânhamo, açafrão, tabaco, algodão e etc);

Solvente: terebentina, água ras e querosene (algumas pessoas não indicam);

Para secagem mais rápida: secante de cobalto;

Para maior fluidez (deixar a tinta mais rala) deve usar a terebentina e/ou óleo de linhaça;
Suporte: linho, madeira e algodão (com fundo de gesso, polímero acrílico ou gola e gelatina);








Os pigmentos mais adequados são: branco de titânio, branco de zinco, azul de ultramar, azul cobalto, azul cérulo, verde cobalto, terras verdes, verde oxido de cromo, amarelo de cádmio, amarelo ocre, terras de siena, amarelo de Nápoles, amarelo de marte, amarelo cobalto, amarelo hansa, vermelho ocre, vermelho indiano, vermelho de cádmio, vermelho de marte, preto marfim, preto mineral, preto de carvão vegetal, violeta de cobalto, violeta de manganês, violeta de marte, marrom de marte, siena queimada e sombra natural. Claro que podemos usar terra e outros tipos de pigmentos para produzir nossas próprias tintas.
O óleo de linhaça é o mais usado e é encontrado em papelarias e em casas de materiais de arte. É bem fácil de ser encontrado. Ele é extraído das sementes maduras da planta do linho. O óleo extraído pela prensagem a frio é de melhor qualidade para as tintas ao contrário do que é extraído pela prensagem a quente, realizada com a ajuda de vapor, que é o processo mais comum. O aquecimento do óleo de linhaça a temperaturas entre 272°C e 302°C, o tansforma em óleo polimerizado, alterando suas propriedades físicas mecânicas. O resultado é um óleo mais viscoso e parecido com mel.








Características:

Flexibilidade e elasticidade;

Liberdade de efeitos;

Pouca alteração das cores após a secagem;

Brilho;

Secagem lenta;

Grande variedade de tintas; 

Receita:

Aquecer o óleo de linhaça e acrescentar 1% do volume de cera de abelha derretida. Sobre um azulejo ou vidro, coloque o pigmento e acrescente o óleo aos poucos e ir amassando e misturando com uma espátula ou pilão de vidro ou cerâmica.
O processo de misturar é importante para uma boa tinta, quanto mais misturada e amassada, melhor é a tinta.


                                         (sempre achei a mesma coisa)


Óleo de papoula: não é tão antigo quanto o de linhaça e não teve a mesma popularidade entre os artistas. È mais claro que o de linhaça e tem tendência a amarelar menos. O tempo de secagem é mais lento e forma uma película mais fraca e tende a rachar. Pode ser misturado ao óleo de linhaça e ao de nozes.




Óleo de nozes: inferior ao de linhaça e superior ao de papoula. Seca quase tão rápido quanto o de linhaça, mas ele é mais caro. Com o tempo se torna rançoso e com odor forte. Pode ser misturado ao óleo de linhaça e ao de papoula.



Óleo de soja: é bem inferior ao de linhaça e precisa de agentes secantes. É comumente usado na indústria como substituto do óleo de linhaça. É utilizado como ingredientes de vernizes e esmaltes. Não amarela com o tempo.

Óleo de girassol: Possui propriedades equivalentes ao óleo de papoula, porém inferior a este. Na Europa, ele muitas vezes substitui o óleo de linhaça.

Óleo de cânhamo (cannabis - não é a maconha, kkkk): Possui propriedades equivalentes ao óleo de papoula, porém inferior a este. As propriedades secativas deste óleo já eram conhecidas na Antiguidade e também é muito usado na Europa como substituto do óleo de linhaça. 



Óleo de algodão: não é recomendado, pois seu uso reduz a durabilidade da tinta.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ilustrações de Ferri

Oi Pessoal!

Não abandonei o blog, eu viajei! Fiquei 10 dias fora e não atualizei o blog. Bom, pra começar, hoje (4 de agosto) é meu aniversário, estou fazendo 22 invernos! Fico feliz por nascer na minha estação do ano favorita!

Fui pra Viçosa e dei de presente dois desenhos de fadinhas pintadas com aquarelas pra uma prima e um amigo.

Tinha tempo que não desenhava e nem pintava. Hoje estreei o sótão daqui de casa, fizemos um atelier. Algum dia posto fotos dele. Na estréia dele, terminei três aquarelas onde copiei algumas ilustrações do ilustrador Ferri. Foram três ilustrações da história do Barba azul.

Ferri é o ilustrador de alguns livros da série de histórias infantis Conte Outra Vez, também chamado de “As Mais Belas Histórias Infantis de Todos os Tempos”, foi uma coleção de livros acompanhados de fitas k7 lançados pela Editora Globo. Esta coleção foi lançada entre 1987 e 1991, continha 12 livros e fitas K7 contendo duas histórias em cada livro. Esta versão foi apresentada pela Xuxa e contava com sua narração em algumas histórias.

Gente, os desenhos são maravilhosos e do jeito que gosto: anatomicamente corretos, com pintura bonita e com roupas e detalhes medievais/renascentistas. Infelizmente eu só tenho dois livros da coleção: Barba Azul - Os Três Anõezinhos do Bosque (livro verde) e o Patinho feio - Bela e a Fera (livro amarelo).



Levei esse livro para minha professora de aquarela, a Helena Jansen (da casa das Artes) e ela me disse que as ilustrações desse livro são feitas com aquarela e talvez algumas partes com guache.

Os desenhos são lindos e o que mais me impressiona são os efeitos nos tecidos, parece muito real! Quero algum dia chegar nesse nível!!!!

Procurei na internet alguma coisa sobre esse Ferri, mas não achei NADA. Triste isso, o cara manda muito bem! 

Aqui estão algumas ilustrações da história do Barba Azul:







Vai ai as 3 cópias que fiz (claro que nem chega aos pés do Ferri, rs):

Barba Azul que me deu trabalho!




Bom, espero que tenham gostado! E quem estiver ilustrando algum livro ou for editor, pode me chamar pra ilustrar! RS!